9.9.08

Alice faz dobraduras

Primeiro vi três poemas de Alice Sant’Anna no site Escolhas afetivas, depois no seu blog e então recebi seu livro, Dobradura (7Letras, 2008), que li bem rápido.

E acho que tem muita coisa nele.

De início, é difícil fugir do comum e não afirmar que Alice tem apenas 20 anos. Esta informação já aparece na orelha: "Alice tem 20 anos e é carioca. Esse é o seu primeiro livro", só isso. Então tanto seu nome quanto sua idade nos acompanham em todos os poemas. Ou seja, Alice ficcionaliza a si própria. E isto é uma sutileza.

É uma poesia com forte atenção no cotidiano, para eventos pequenos. E para uma apreensão afetiva de objetos, lugares. E Alice consegue fazer algo que considero difícil: equilibrar um discurso autobiográfico - até mesmo narrativo, muitas vezes - com uma escrita objetiva, de cortes muito precisos e quase sem rima nenhuma.

Gosto aliás do modo como Alice corta os versos. É inusitado, não é óbvio. Assim como as situações que narra. Por exemplo, uma simplicidade como esta: "raramente os gatos atendem pelo nome"

Qualquer coisa que está ao redor pode se tornar matéria para escrita. E Alice parece que esconde seu nome por detrás de todas estas coisas. É interessante então o modo como o autobiográfico se torna mais ou menos falso.

Dobradura talvez faça referência a algo frágil, infantil e que pode ser feito a qualquer hora, mas que poucos sabem fazer ficar bonito. Alice sabe.

Um comentário:

Í.ta** disse...

gostei, cara!

teus escritos me instigam a ir atrás de algumas coisas.

aquele abraço!