16.9.08

Nada sobra

Manoel de Oliveira é um cineasta que – em meio a tudo - se mantém saudável. Sobretudo no que diz respeito ao tempo, ao ritmo da imagem. Achei seu recente Belle Toujours de uma incrível lucidez cinematográfica. Não se encontra em todo o filme um único traço sequer de histeria. As referências à Buñuel aparecem em elementos da narrativa e também na própria linguagem de Oliveira – porém sempre de forma extremamente sutil, elegante. A cena em que a galinha aparece de repente no corredor é uma aula de como construir uma cena estranha sem o discurso ou a defesa do estranho - e, ainda, de citar sem ser o mesmo. E as sequências na rua, com a câmera quase imóvel, são precisas até o excesso, a medida. Nada sobra. Por isso talvez um filme tão curto. Belle Toujours devolve à imagem qualquer coisa de sonho. Tudo é simples e forte.

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