22.10.08

O olho que narra é azul

O olho que narra é azul e vê tudo a seu modo – na falta de nome, quase nada: todas as coisas azuis. Desaparece a distância que antes separava o olho e as coisas: azul. A voz assim desaparece nas coisas.

Certa distorção cromática nomeia de início a primeira novela do escritor Rodrigo de Souza Leão: Todos os cachorros são azuis – e talvez reflita de início a imagem que atravessa toda a narrativa: um cachorro azul, de pelúcia, objeto afetivo de infância, que retorna em vários momentos do livro, quase sempre como uma falta, mas se derrama também para a imaginação de um cenário deformado e delirante. Em linhas gerais: trata-se de um sujeito que narra sua experiência em um hospício – e, segundo as palavras de Sérgio Medeiros, que assina a orelha do livro, estamos diante de uma experiência autobiográfica.

Um comentário:

Rodrigo de Souza Leão disse...

Caro Victor,
Gostei da sua leitura de meu livro e muito obrigado pela divulgação.