11.12.08

Retrospectiva de mim - 4º lugar

E em quarto lugar da retrospectiva dos textos mais mais-ou-menos do ano, com 453.900 mil votos, ficou esta defesa do palavrão, texto publicado no dia 19 de junho, e que também teve apenas um comentário na ocasião e ainda me valeu um pequeno sermão de minha mãe.

Palavrão não é feio

Cresci com a idéia de que dizer palavrão é feio. Minha mãe, meu pai, a professora da escola, minha avó, todos me diziam isso e me recriminavam caso eu cometesse o menor desvio - um simples "puta que pariu" depois de uma topada era motivo para olhares inesquecíveis.

(Eu tinha uma tia muito desbocada, porém, que sempre me contava histórias de livros e inseria uns palavrões no meio, como a bruxa filha da puta ou o urubú pau no cú - ... e eu ficava perplexo diante daquilo e olhava em todas as direções para ter certeza de que ninguém realmente estava por perto)

Pois bem, depois descobri que palavrão não é feio e - além disso - pode ser muito útil. Lembro que quando entrei para a Universidade - eu já dizia palavrões sem culpa nesta época - me encantei com a idéia de que é permitido a um escritor usar palavrões. Pensei: se um escritor pode usar palavrões, então eu também posso.

Como todas as coisas, o palavrão só precisa ser dito na hora e no lugar certo. Você pode ensinar o próprio filho a dizer palavrão para intimidar um coleguinha mais forte, mas não para se referir à professora quando tirar uma nota ruim, sei lá.

A questão é uma só: existe uma pedagogia do palavrão.

Ou mesmo para amenizar a dor de uma topada, etc. Quem diz? - oh, mas que dor imensa! Quem diz isso fica com a dor por mais duas horas latejando no dedão. Ora, há coisas que só podem ser representadas com palavras feias. E há outras funções do palavrão que é melhor nem dizer. Afinal, palavrão é um excelente recurso de linguagem.

E minha mãe até hoje não entende isso. Explico a ela, digo que há palavrões no dicionário, mostro meu diploma de bacharel em Letras, mas nada disso adianta. Da última vez que ela permaneceu insuperável diante do debate, fui obrigado a responder assim, só para irritar: Pooorra, mãe.

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