19.1.09

Do diarismo in ao colunismo out

Os leitores do DC são muito exigentes. Acho que não gostaram de nenhuma crônica que eu escrevi. E eu me esforcei. São muito críticos.

Na primeira, sobre o colunista que eu substitui, o Bruggemann, em que eu defendia a hipótese de que ele era um grande sentimental, fui acusado de colunista social. Como achei uma crítica muito relevante, mudei a estratégia e, na segunda, fiz uma confissão que diz respeito ao imaginário coletivo - afinal, todo mundo já roubou livros nesta vida - tratando dos livros que eu roubei.

Aí piorou.

Os leitores - sempre muito ácidos - acharam uma perversidade. Meu pai, que estava orgulhoso de mim, ficou decepcionado. Neste sábado, dia 03 de janeiro, acordei com ele reclamando pra minha mãe:

Você viu o que este guri foi escrever no jornal!? Foi dizer que é ladrão de livros! Filho de um burro mesmo!

É mentira deeeele, dizia a minha mãe, apaziguando do seu modo. Eu até empresto o meu cartão. Compra livro todo mês. Está lá no extrato.

Mas meu pai, inconformado, resmungava na frente da minha estante cheia de livros: Não, não.... Por vezes, olhava para o jornal e dava uma risadinha.

Fiquei sabendo também que uma garota perguntou para o Bruggemann, neste mesmo dia: Logo tu, que és o paladino da moral, convida um ladrão de livros pra te substituir?

A pressão estava grande e na terceira crônica eu resolvi pegar leve. Pensei assim: vou mostrar pra esta gente que eu sei escrever coisas bonitas, só mostrar. Mas eu tenho um amigo muito invocado que dizia: Agora, se você é radical mesmo, escreva que o padre da tua rua era apaixonado pelos coroinhas. Não. Escrevi uma crônica clássica sobre o tema da morte em Machado de Assis. Um grande tema para um grande autor. Uma grande crônica. Não recebi nenhum comentário.

Na última, a de sábado, a primeira crônica de verdade, resolvi falar da cidade. Todos teriam gostado. Mas já era tarde demais.

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