9.1.09

Ler a si

Quase nunca reli o meu livro, publicado no início de 2007 - já vão fazer dois anos. De modo geral, principalmente depois de algum tempo, quase nunca releio as coisas que escrevo. Sinto uma espécie de vergonha. Escrever sempre me pareceu um gesto constrangedor. Há uma exposição na escrita que é da ordem apenas do constrangimento. E não adianta mudar o estilo, a política textual, construir certo efeito de distanciamento - será sempre exibição, sempre vergonha. Reler meus próprios textos é entrar em contato com um sentimento vulgar. Por isso, evito. Prefiro ler os outros. Prefiro ler desconhecidos e mortos.

Nunca quis ter um único exemplar do meu livro em casa. Quando sobra, trato logo de presentear alguém. Acontece que, como estou fazendo mudança durante estes dias, tive que encaixotar grande parte dos meus livros e, surpresa, encontrei um exemplar do piano e flauta perdido. Levei um pequeno susto, nada demais, parei a função, e meu pai perguntou se eu tinha lembrado de algum roubo. Agora a coisa virou piada. Meu livro é muito pequeno e parecia poeira no meio dos outros. Parei para ler algumas páginas. Senti uma espécie de vergonha.

4 comentários:

Maiza disse...

algumas coisas: tou aqui matando trabalho (que feio, dona maiza) e me ocorreu: pra onde vais se mudar?

eu me mudei de novo, agora modo na agronômica =)

outra: nunca li seu livro. me dá esse aí que vc achou hj?

Victor da Rosa disse...

aproveita o tempo pra estudar a nova ortografia, não?

vou pra trindade. nos próximos dias. estou mudando só no pianinho.

sempre achei sem sentido morar no campeche. dizem que há muitos cachorros por lá, não?

Maiza disse...

ish. muitos. meus gatos até pegaram pulga. =/

então, não quero estudar a nova ortografia, victah, não quero.

vais morar com quem?

Fabricio C. Boppré disse...

Ô, eu também quero um exemplar do teu livro, me coloca na lista dos próximos contemplados! O Fernando tem, mas quero um pra mim, para deixar na estante e quando alguém mexer, eu poder dizer "esse cara é meu amigo" [risos]. (não vale sugerir que eu surrupie o exemplar do Fernando!)