13.1.09

Profissão: pintor

Depois de anos na dúvida, na batalha, descobri minha profissão: pintor. Digo, pintor de paredes. Passei o final de semana inteiro e mais uma segunda-feira pintando quatro paredes - meu pai diz que a média de um profissional é de uma parede por hora, mas argumento com ele que sou um pintor diferenciado - e ficou realmente incrível.

Eu fui pra curtir o momento. Por isso, na verdade, não tinha pressa. Sempre achei pintar parede algo romântico, meditativo. Minha namorada pintou dois metros e ficou com preguiça. De minha parte, não tinha volta. Tive que encarar tudo. Acaba que descobri minha profissão. E a experiência me ensinou pelo menos três coisas:

1) jamais comprar marca de tinta vagabunda pra economizar dez reais, 2) jamais pintar com um gato andando pelo quarto e 3) jamais deixar uma lata cheia de tinta - principalmente se tiver aberta - no meio do caminho.

Outra coisa interessante que descobri foi um novo modo de ler os jornais do final de semana. Na horizontal. Todos espalhados pelo quarto. Reli a minha crônica de sábado, por exemplo, que ficou perto da parede que pintei de verde. Até o DC Cultura estava lá. Jogava tinta nos textos que não me agradavam muito. Teve um momento em que fiquei horas pintando a quina da porta e o Prates ficava só olhando pra mim, deitadão - "Vejo e não creio..."

Tudo isso já era a manifestação da superioridade do pintor sobre o escritor.

E no fim devo ter economizado cenzão, pelo menos. Por um artigo sobre Camões, não pagam isso por aí. Por esta crônica, por exemplo, duvido que paguem vinte. O preço de uma parede.

2 comentários:

cristianopintor disse...

desse jeito vou perder minha vaga de pintor. rsrs

Pedro Bennaton disse...

as paredes que eu vi ficaram muito boas. foram as paredes da sala.
por essa crônica eu pagaria cenzão, mas como não sou pintor e tampouco escritor, não posso pagar nada.
Acho que o Prates pagaria muito mais e ainda mostraria aos netos dele.