23.1.09

Resposta de Jefferson Bittencourt

Segunda-feira publiquei uma nota de leitura sobre a peça teatral A galinha degolada, do grupo Persona, de Florianópolis, e ontem recebi uma resposta clara e gentil de Jefferson Bittencourt, diretor do grupo, que publico aqui:

Caro Vitor...tudo bem? Em primeiro lugar gostaria de agradecer o fato de você ter escrito algo sobre o espetáculo e de ter colocado o serviço, auxiliando na divulgação do mesmo.Gostaria de esclarecer dois pontos: a linguagem do ator marionete é peça central nesse trabalho e está relacionada tanto com a concepção da obra (na construção das ações) quanto na relação com o destino dos personagens (não é à toa que queremos deixar claro que tudo já está definido )reforçando o caráter trágico da história. Sugiro que você leia a dissertaçãpo de mestrado da Gláucia Grígolo: Paradoxo do ator marionete. Tenho me empenhado nessa busca também coletando informações e inspirações no universo do diretor teatral polonês Tadeuz Kantor (que também 'tratava' os atores como marionetes)...lembre-se , nunca no sentido pejorativo mas no sentido de concepção, idéia e construção. Este é o foco desse espetáculo.Os atores estão empenhados em desenvolvar este papel...ninguém deve se sobressair enquanto performance...há a necessidade do equilíbrio...da força da imagem , do conjunto... Quanto ao maneirismo citado por você, não tenho receio algum dele pois, como disse acertadamente, G.K. Chesterton : "o grande mal da modernidade é não se permitir mais ser sentimental" ...sou avesso à pseudo-ironia moderna (aos montes nos ícones do cinema francês) que me parecem somente reforçar o caráter de superioridade de quem os pratica.....por isso sou do discurso da compaixão, da grandiloquência, da transcendência (esta última ...sei que causa arrepios de aversão em muitos)....bem...por enquanto é isso....podemos continuar conversando...um grande abraço pra você!!

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