27.1.09

Sobre textos extensos

Geralmente, quando leio um capítulo ou até mesmo uma página que considero muito intensa, extrema, sinto como se tivesse levando golpes e então paro de ler, digo: paro por alguns instantes. Olho a janela, tomo um copo d'água, por vezes jogo uma partida de xadrez, enfim, distraio, corto a leitura. Sofro muito para ler M. Blanchot, por exemplo. Agora penso, portanto, na dificuldade que tive para terminar O idiota, de Dostoiévski, livro que terminei ontem, quase um mês depois de iniciar a primeira página. Diferente dos textos intensos e curtos, que já me dificultam a vida, o romance de Dostoiévski é muito intenso, o tempo inteiro, e também extenso, interminável. Não gosto de ler nada longo, não gosto de quase nada que dura muito tempo. Por outro lado, os textos longos nos submetem a um embate mais linear, duradouro, menos fragmentário. Acho que há somente um romance longo que li com leveza: Grande sertão: veredas. De resto, o grande prazer de começar, sabendo que vamos ler um grande livro, é semelhante ao prazer de chegar ao fim.

3 comentários:

Mi Stakonski disse...

puxa, eu tenho que discordar =/

prá mim textos longos e intensos, como os do dodô, criam vínculos. Depois de lê-los, acabo por sentir uma saudade meio estranha. A falta de algo/alguém que nos faz companhia e de repente vai embora.

Mi Stakonski disse...

é, como diria Riobaldo, despedir dá febre!

Victor da Rosa disse...

dizia tb que ser forte é permanecer, rs...

vou fazer uns posts mais longos em tua homenagem, então!