17.2.09

Nota de leitura: Machado de Assis

Não são poucos os retratos de Machado de Assis em que a luz estoura em seu rosto dissimulando a paternidade mulata. Desde o conhecido retrato de 1880, fotografado por Marc Ferrez, até o óleo sobre tela de Henrique Bernardelli, realizado já no fim da vida de Machado, no ano de 1905, o excesso de luz está sempre visível - e, vale mencionar, a mesma luz não é visível em um retrato de que Rodolfo Bernardelli, irmão de Henrique, faz de André Rebouças, por exemplo, outra figura de ascendência negra que fazia parte de uma classe erutita brasileira. Este excesso de luz, além de indicar camadas simbólicas de uma cultural escravocrata no Brasil, permite refletir sobre as possibilidades mesmo do retrato. Os efeitos de luz, portanto, se geralmente operam enquanto dispositivo de visibilidade na iconografia do século XIX, também provocam o desaparecimento.

2 comentários:

Ruy Vasconcelos disse...

tss, tss,

victor. duvido que os fotógrafos deliberadamente quisessem "branquejar" machado. ou houvesse uma conspiração de estado por trás das raras fotos do distinto. para quê? o que um fotógrafo sairia ganhando com isso?

fotos iludem. e é por isso que são fotos. quem vê, por exemplo, sua máscula e varonil foto de perfil, jamais suspeita de o quanto v. é também um sujeito delicado e proustiano. ao ponto de desejar plantar uma sapatada no meio da testa de vosso prefeito.

você engana em geral. se engana, mais raramente. mas há muita classe por aqui. se você não vai as reuniões deve ser por outra razão. mas a idéia de não ir soa agradável.

por fim, o curioso, aqui, é ter de copiar os caracteres exibidos acima para deixar um comentário. ainda vou fazer um poema (neo-concreto) usando só as marmotas que a gente tem de digitar. a última foi 'oerfbori'. o que pode ser 'oerfbori'? algo na linha de tlon, uqbar, orbis tertius?

Victor da Rosa disse...

penso mais em um contorno simbólico, menos em uma intenção determinada. se fotos iludem, talvez seja outro índice para o argumento. mas também não tenho tanta certeza.

de resto, sim, eu sou um mentiroso com classe.

abraço em você.