21.2.09

Chaves versus César Souza



Ontem fui no Banco do Brasil e, enquanto esperava a minha vez, fiquei assistindo a Turma do Chaves na televisão. Nada mais inusitado do que isso: ir no banco resolver questões sérias de ordem financeira e acabar assistindo o programa do Chaves. Quem não agradeceria? Cruzei os braços. Sempre achei o programa do Chaves toda uma filosofia. Mas na medida em que a fila andava, eu refletia duas coisas: é bom que a fila ande porque assim fica mais fácil para ouvir, ótimo; por outro lado, logo chegará a minha vez. Fiquei naquilo.

Então o pior aconteceu. Uma funcionária mocréia do banco mudou de canal. E ela viu que eu estava a dois metros da televisão, vidrado. Programa do César Souza. Puta que pariu, fiquei puto. Pedi satisfações.

Minha senhora, me desculpe, mas eu estava assistindo o Programa do Chaves.

Ela olhou pra mim dos pés à cabeça. A primeira providência é sempre esta. Eu estava bem vestido, cabelo normal, calça nova, barba feita. Um cidadão que cumpre com seus deveres e tem direito de assistir o Chaves, portanto. Mal sabia ela que não era nada disso. De modo que ela perdeu o primeiro duelo. Então teve que dar explicações.

Desculpe, não me parece apropriado.

Minha senhora, me desculpe, mas César Souza então lhe parece mais apropriado?

É um programa de notícias locais.

Então a senhora não vê televisão? César Souza é um programa baixo.

Foi um blefe e deu certo. As pessoas que estavam na fila começaram a se movimentar, mudar a perna de apoio, prestar atenção. Logo percebi que havia duas facções: uma que preferia o Chaves e a outra que preferia o César Souza. Continuei.

Sou cliente do Banco do Brasil há 10 anos.

Blefei mais uma vez, dava certo. Continuei.

Gostaria que a senhora mudasse o canal novamente, até porque o episódio estava muito divertido. O seu Barriga estava procurando o Seu Madruga. É a parte que eu mais gosto.

Querido, são ordens do gerente.

Quando a pessoa diz querido, quer dizer que está perdida. Por outro lado, quando a pessoa diz que a responsabilidade é de outro, nestes casos, é sinal de que não temos muito mais o que fazer. Era um golpe quase definitivo. Tanto que ela disse aquilo e deu as costas. Ela deve ter pensado: vou acabar logo com esta brincadeira de mal gosto. Mas fui até as últimas consequências.

Gostaria de falar com o gerente, portanto. Onde ele está?

(Meu pai me ligou agora chamando pra ir almoçar na minha segunda casa. De qualquer modo, a história, de fato, acabou de um modo tão inverossímil que não caberia em um texto escrito. Ou seja, eu teria que inventar outro final, mais realista. Portanto, como não terei tempo de pensar agora, aceito sugestões. Um abraço e até mais)

5 comentários:

Verano disse...

ahahaha

rolando de rir

Raphael Rocha Lopes disse...

Também é covardia... Chaves ganha o duelo com os olhos vendados e um pé nas costas... isso, isso, isso...

mafra disse...

bicho, tu é o melhor, nego!!!

ou seria o chaves?!? dá um pega vocês dois, na verdade...

glau disse...

sugestão para o final: vai ter com o gerente e eis que percebe que ele é a cara do Seo Barriga. golpe final. vence o césar souza.

glau disse...

ah, esqueci de dizer: victor, muito bom seu texto. muito bom mesmo. agora, espero outro sobre futebol.