26.2.09

Maconha e outras tantas

Hoje, no Jornal do Almoço, passou uma rápida matéria com flagrantes no Carnaval de Florianópolis, captados pelas câmeras de vigilância da Guarda Municipal, aqui. Tudo é puro entretenimento - "O repórter encontrou cada imaaaageeeen", anuncia o Mário Mota, como quem diz: vamos nos divertir com o real. Estas matérias morais do JA sempre são muito divertidas, eu acho. É só a pessoa parar e escutar com calma. Faz uns meses, meia dúzia de imagens de estudantes do CFH fumando maconha no bosque renderam muitas polêmicas. E um grande entusiasmo do repórter diante da galera fumando vários. O que eu conheço de jornalista maconheiro não é brincadeira. Como diz o meu pai, quero é novidade.

Mas o que me chamou a atenção nesta matéria de hoje foi outra coisa. Lá pelas tantas o repórter diz o seguinte: Aqui, este grupo de jovens negocia com um traficante conhecido da região central. Tipo, como assim, traficante conhecido? Traficante, a princípio, deve ser desconhecido, pelo menos da polícia e do repórter do JA. E se o sujeito é conhecido então a polícia não deveria prender? Ou é conhecido do repórter, será? Primo, talvez? Depois ainda diz: E ali mesmo, em frente às câmeras, os homens usam maconha. Quer dizer, duas da matina, em pleno carnaval, a galera já bebeu todas, e o repórter quer que todo mundo fume maconha escondido da câmera de vigilância da Guarda Municipal? Quanto preciosismo! Tenha paciência!

3 comentários:

Cujo disse...

gosto muito quando descreves as realidades vistas por estes ângulos, quando faz os comentários a respeito da mídia, que, por incrível que pareça, todos dão como certo!
acho que é desse tipo de crônica que nos falta e tu faz isso muito bem.
parabéns por este post
P.S.: fui hoje ao banco do brasil e estava passando Márcia Goldsmith! senti falta do Chaves... abração!

Pedro Bennaton disse...

Filmaram o seu cheque!?
Ele sim é um folião viciado em drogas.
E os dólares!? Chapados! Traficantes conhecidos.
E esses guardas municipais? Ficam fumando vários e vendo os outros fumando. Um ciclo vicioso.
E na ilha de edição da RBS? Dizem que a fumaça rola solta durante a seleção das melhores imagens.
Eles pagaram um bom cachê para o traficante conhecido ficar bem no foco da câmera. Ele é conhecido porque compra suas roupas no shopping!
E a última cena, a da briga? Eles copiaram direitinho uma cena do Desvio!
Só que nós... Nós pulamos o carnavó.
Carnavó é ficar lendo, sentado na poltrona e, durante os cinco dias de folia, ficar reclamando.
Se bem que as avós estão bem saidinhas... Então, esse termo pode mudar para carnavéio.
Fica aqui a sugestão, para a guarda municipal e para a RBS captarem e passarem imagens de idosos usando drogas no centro da cidade. Passaria até no fantástico.

Pedro Bennaton disse...

Não posso deixar de recomendar uma passagem no website do coletivo político-artístico, Surveillance Camera Players da Organização Not Bored (http://www.notbored.org/the-scp.html) que possue ramificações em alguns países. Eles utilizam os pan-óticos de esquina de modo singular, fazem peças de teatro, intervenções urbanas, exclusivamente para as câmeras de vigilância e para quem estiver olhando.
Alguém se habilita em fazer uma dessas peças por aqui?
Poderíamos dar outras razões para os guardas se preocuparem.