6.2.09

O nascimento da crônica

Tenho um amigo que sempre chega atrasado. Todo mundo tem um amigo assim, na verdade. E todo mundo chega atrasado também. Mas a questão aqui é outra.

Hoje marcamos de almoçar no Centro e enquanto eu esperava, depois de ver todas as camisetas de uma loja e dar duas voltas na praça de alimentação, como não encontrava mais nada pra fazer, resolvi elaborar uma estatística de um entregador de panfletos que estava em atividade bem na minha frente. Contei quantos panfletos foram oferecidos, quantos foram aceitos e depois tirei a porcentagem, meio assim de cabeça. As pessoas recusaram mais de 70%, achei um índice de rejeição incrível. Levando em consideração que este entregador de panfletos era um senhor mais velho, com aparência simpática e que ainda dizia boa tarde no momento da entrega - agora não lembro se no começo da contagem ele ainda dizia bom dia - imagino que esta rejeição deva aumentar com outros entregadores. Dos quatrocentos e cinquenta e sete que contei, foram aceitos apenas cento e quinze, mais ou menos.

Abre parênteses. Digo 'mais ou menos' porque quando vi meu amigo dobrar a esquina, com aquela paciência que Deus lhe deu e o Diabo ainda assinou embaixo, fiquei tão feliz que me perdi um pouco na conta. Fecha.

Quando chegou, não pediu desculpas. E perguntou se tinha demorado muito. Eu disse a ele que não, não tinha demorado quase nada, é importante um momento assim no dia, e disse que tive até idéia para uma crônica nova. Então fiquei em silêncio e ele foi obrigado a perguntar sobre a idéia.

É assim, enquanto espero um amigo pra almoçar, um amigo que sempre atrasa, mas sempre, enquanto espero, fico contando quantos panfletos o entregador de panfletos consegue entregar e quantos são recusados. Até você chegar, contei uns 870, mais ou menos, 30 por minuto. O que você acha da idéia?

Pô, desculpa ae.

Um comentário:

Anônimo disse...

Nossa vOcê é um mAnéè...
quE idÉia mais riDícula!!
aff se vOcê não tem o quE falar ficAsse quiEtoO...
aja pAciênCia viO!!