13.2.09

Uma dissertação só

Não sei o porquê, mas sempre que falo pra alguém que minha pesquisa de mestrado é sobre León Ferrari, Waltércio Caldas e Joan Brossa, tudo junto, a pessoa leva um susto, dá uma risadinha nervosa.

Mas é uma dissertação só?

Sim, uma só.

De fato, eu não sei onde estava com a cabeça quando escrevi este projeto. É um delírio mesmo. Todos os três artistas têm produções muito grandes e muito variadas. Meses depois de entrar no mestrado, passei um tempo em Barcelona pesquisando Brossa. Então descobri que a obra de Brossa é a maior obra que já conheci. Deve ter uns 30 livros, cada um com mais de 100 poemas. Sem dizer das performances, poemas-objeto, instalações, cartazes, poemas visuais e eu sempre esqueço alguma coisa. E pior: passa pela vanguarda, ainda na década de 40, depois entra em um período de repressão com o governo de Franco, sai disso na década de 70 e entra em algo que pode ser chamado pós-moderno, etc. Ontem eu disse para um amigo, por e-mail:

Acho que estou descobrindo que minha dissertação é sobre Brossa, apenas.

Vou te dizer uma coisa: só isso já é o incomensurável.

Estou lembrando de todas estas coisas porque antes de ontem fui escrever as primeiras linhas da dissertação e, claro, percebi que tinha alguma coisa errada. Mania de grandeza, decerto.

Nenhum comentário: