2.3.09

Ser ou não ser mané

Gosto de ser mané por um motivo, além das praias: posso falar mal de mané sem ser acusado de nada. Quer dizer, só de traidor da pátria. Eu lembro que quando alguns intelectuais catarinenses defendiam a literatura regional, se é que isso existe - digo, intelectuais catarinenses - o maior argumento era sempre o de que os escritores de fora estavam mandando geral. Então um dia eu escrevi um artigo no jornal descendo a lenha na literatura catarinense e ninguém respondeu. Sobretudo porque o debate é de filiação, naturalismo, é século XIX. Fui um excelente mané traidor, modéstia à parte. Lembro disso porque tenho um amigo de São Paulo que mora em Florianópolis faz anos e que adora tirar onda de mané - ou seja, de mim - e eu gosto horrores. Primeiro porque o maior mané da história é ele, que veio morar aqui por livre e espontânea vontade. E fez um filho mané. E escolheu um padrinho mané - eu. Ou seja, ele é um mané convicto e eu sou mané por casualidade. Digo a ele: meu caro, eu não tenho culpa, e você? E depois ele diz coisas muito divertidas. Por exemplo, ele diz que mané só dirige bem na chuva porque acha que está andando de barco. Outra coisa que ele muito bem notou é que só um mané sabe fazer pizza com borda de siri e berbigão. E isso é verdade. Antes ele dizia só de imaginação, mas dia destes eu descobri uma pizzaria aqui na Trindade com estas duas opções. Então eu disse que ele já está com uma intuição mané. E ele até assina o DC. Eu digo: eu escrevo no DC, mas você assina, é muito pior. O maior mané é aquele que não sabe. E digo depois que agora só falta pouco pra ganhar a cidadania: falar chiado, escrever poesia ruim e torcer pra o Avaí.

4 comentários:

jean mafra em minúsculas disse...

taí: eu queria ser mané só pra poder falar mal dum montão de coisa com menos cuidado.

Victor da Rosa disse...

mas tu não é mané?

Maiza disse...

eu quase sou mané, só falta torcer pro Avaí! (de tanto tirar onda, esse diabo de sotaque anda me perseguindo)

Fábio Brüggemann disse...

eu já ganhei meu manecard. troféu e tudo. cosamasquirida, pricisa de vê, ôôô. mas torcer pro avaí, isso não. muito menos pro figueira.