31.3.09

Uma metáfora do tempo

Sempre durmo com uma ponta da janela aberta. Todas as manhãs, portanto, um risco de sol entra no meu quarto, direto na minha cama. É o que me faz despertar. Como muita gente, no entanto, eu gosto demais de dormir naqueles minutos entre oito e nove, e assim fico me demorando no sono. Neste tempo, o mundo vai girando e o risco de sol se desloca através de toda a superfície da minha cama, como se procurasse voluntariamente me causar incômodo. Algumas vezes, dependendo da abertura da janela - que, por sua vez, depende do calor que fazia na noite anterior - o risco se torna um quadrado grosseiro. Passo a sentir o sol quando começa a queimar minha pele, é claro, quase acordo. Para não ter que acordar inteiramente e nem ter que fechar a janela - pois a preguiça de se levantar ou mesmo de esticar o braço é imensa - vou fugindo para o canto até a parede. Chega o fim da linha. Quando percebo que não tenho mais qualquer saída, acordo.

Um comentário:

jean mafra em minúsculas disse...

é por essas e outras, seu filho da puta, que eu leio teu blog.