6.4.09

Vanguarda, retaguarda, etc.

Há uma diferença fundamental entre a literatura mané e o cinema mané. De modo geral, o cinema é ruim, sabe que é ruim, e goza nisso. A literatura, por sua vez, é ruim e ainda não sabe. Pra ter um parâmetro e não dizerem que estou nivelando demais: de dez filmes aprovados pelo Funcine, talvez um deles seja possível assistir. E isto não quer dizer que seja bom. Quando é aprovado pelo fundo da Cinemateca, a média sobe pra dois. Há algumas coisas que nem coloco na conta, pois acho melhor denominar não como cinema e sim como programa televisivo melhorado, qualquer coisa do tipo. O pobrema do cinema é diferente do pobrema da literatura, certamente, e a diferença tem vários nomes, a saber: grana, bufunfa, din din, l'argent. Vá dizer a um aluno de cinema que uma coisa é linguagem e outra é indústria pra ver o que acontece. Não é em vão que um dos filmes mais interessantes da cidade nos últimos cinco anos é um filme sem financiamento. A galera do cinema sentou nos editais públicos - ou seja, no nosso colo - e não sai por nada. Um milhão pro Seu Chico, outro milhão pro Doce de côco - somando dá dois milhão. E eu já prometi pra Deus: se aparecer boi-de-mamão outra vez eu levanto do cinema e não quero nem saber. A literatura, coitada!, além de tudo é pobre. E sofre pra sair do modernismo, se arrasta na década de cinquenta. Das duas, qual será a pior?

11 comentários:

Lucian Chaussard disse...

O cinema vai ser sempre pior. Tem algo de fascínio bobo na imagem que faz até o escritor mais experiente voltar aos 4 anos diante da representação cinematográfica.
Há também o ego maker promovido pelo cirquinho cinematográfico (nunca entendi que tara é essa por sets de filmagem).
Sem contar que o cinema local é o maior parceiro do programa de identidade cultural enquanto produto turístico. Talvez o único programa que tem continuidade para além dos nossos respeitáveis governos.

Nydia Bonetti disse...

Perfeito, Victor.

Christiano Scheiner disse...

como estás cruel hoje.
mas, antes o charme dos anos 50 aos cinema "novo" catarinense.
Certamente ;)

Jefferson disse...

"Não é em vão que um dos filmes mais interessantes da cidade nos últimos cinco anos é um filme sem financiamento."

Qual é o filme??Queria saber...


um abraço!!

Priscila Lopes disse...

É...

Mas sobre a literatura, "que se arrasta para sair da década de 50", creio que é preciso um distanciamento maior para afirmações.

Um abraço!

Alexandre Nodari disse...

Distanciamento? É melhor mesmo deixar em quarentena até o próximo milênio. O risco de contágio desta lepra é perigosíssimo.

Lucian Chaussard disse...

"Qual é o filme??Queria saber..."
Chuto que é Sistema de Animação, que apesar de seus cacoetes tem alguma vida.

Jefferson disse...

e aí Vitor? Não vai responder minha pergunta?

Victor da Rosa disse...

Olá, Jefferson: acho que o 'Sistema de Animação', como disse Lucian, é um filme que acaba destoando de produções locais que considero mais normalizadas. De qualquer modo, em alguns textos que publiquei no jornal - embora não tanto na área do cinema - eu procuro apontar (dentro de uma discussão um pouco mais consistente, talvez) aquilo que considero a eficácia destas dissonâncias. Um abraço em você, Victor.

Jefferson disse...

Ok Victor, muito obrigado. Eu não vi o filme.Gostaria de ver um dia,e de ler estes textos do jornal.... Abraço!

Pedro Bennaton disse...

O que é vergonho é o fato de os filmes custarem muita grana e serem exibidos ao publico pouquissimas vezes.
É assustador que esses filmes são realizados com dinheiro publico e guardados em DVD nas casas dos realizadores.
Mesmo que tenham deficiências esses filmes deveriam ser exibidos mais vezes ou, no mínimo, serem disponibilizados em algum site.
Os filmes custam os olhos da cara e, deve ser por isso, que nós não os vemos.