3.5.09

Cala a boca, nego!

Na última vez que meus pais vieram me visitar, também veio a minha avó. Minha vó é uma mulher muito provinciana, até certo ponto religiosa - mas com alguma maldade, pouca - que viveu pra ter filhos e estranha até sinaleira, sei lá. Enquanto chegávamos no condomínio e subíamos no elevador, com uma quantidade de gente estranha passando de um lado ao outro e tudo aquilo, minha avó perguntou qualquer coisa do tipo:

Mas como você vive aqui? Você não se sente sozinho?!

E então meu pai respondeu de bate-pronto, quando a bola vem quicando mas você não perde o domínio, quando eu já abria o apartamento para que todos entrassem:

Sozinho?, é porque tu não sabe a viadada que tem neste apartamento!

Minha avó me olhou entre aterrorisada mas muito curiosa, interessada mesmo naquilo, e minha mãe tratou logo de pôr panos quentes na situação; e falou de um modo que deve se repetir, como em uma cena pronta, um replay, há mais de vinte anos:

Cala a boooooooca, ne-go!

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