20.5.09

Ler não leva a lugar nenhum

Quando penso parecido com o Prates, em qualquer coisa, então é sinal de que devo mudar de idéia. Dia destes - sempre vejo o Jornal do Almoço quando visito meus pais - o Prates reclamou que a Feira do Livro de Florianópolis estava às moscas. Em um movimento natural, pensei diferente, como já estou acostumado a fazer, por uma questão de saúde do pensamento. Discursos em defesa do livro, de fato, são cada vez mais oportunistas. Ninguém é necessariamente contra o livro assim como, sei lá, ninguém é contra a democracia. O Prates sempre diz que é muito importante ler, mas em uma das vezes que dei uma entrevista a ele, no lançamento do meu livro, o sujeito não conhecia nenhuma das obras de literatura que eu citava. O mercado do livro já provou faz horas que ler não garante mais nada. Mais que isso, o mercado do livro é até responsável em parte pelo desastre de diversos escritores contemporâneos. Saramago é um exemplo excelente: passou a escrever livros dispensáveis justamente depois que ganhou o Prêmio Nobel e assinou grandes contratos editoriais. Coincidência ou não, seus três últimos livros estão à disposição. Senhorinhas que dizem meu filho lê muito, qualquer coisa assim, geralmente têm as obras completas da Zíbia Gasparetto na estante ou assinam a Revista Veja. Trabalhei quase dois anos em uma pequena biblioteca do SESC e acho que posso dizer, segundo uma experiência mínima, o que significa o verbo ler na vida da massa. Enfim, pensei no quanto pode ser radical que uma Feira do Livro como a de Florianópolis esteja às moscas, no quanto a postura da cidade pode ser extrema, assim, neste caso, mesmo sem saber, pois basta ir uma vez na Feira pra perceber que não é mais necessário voltar. Pensei afinal que, outra vez, o Prates não tinha razão. Ler não leva a lugar nenhum.

9 comentários:

Anônimo disse...

quando estive na feira do livro era sábado e o negócio até que tinha bastante gente. o que estava totalmente vazio mesmo era o espaço reservado aos autores catarinenses, esse sim não tinha nem um livro, nem uma mosca e nem um escritor sequer. só cadeiras e estantes vazias. sintomático, né?

Júlia Eleguida disse...

o prates é um polemista nato, fala qualquer coisa pela balbúrdia, numa época em que a audiência vale mais do o signficado da palavra.

valorar as coisas é complicado, ainda mais envolvendo o gostar, o sentir prazer com algo.

ler pode não levar a lugar algum, talvés não seja um meio. mas a leitura pode ser uma das formas de prazer. isso pela visão utilitarista da vida.

sobre a literatura de massa, os best sellers, as pessoas procuram refências sobre o que ler, e ai aparecem as famosas listas dos mais lidos, os mais escutados. e lá estão todos os livros expostos na feira do livro, um ciclo vicioso, quando o fato de ler não é mais o prazer e sim comércio.

ler demanda tempo. e o consumo dever ser rápido e incessante.

enquanto não se houver um interesse em depurar o gosto, sentir a essência, a preciosidade das palavras, ler por ler, apenas um número nas estatísticas do vendável. comércio. feira.

e não é um espanto que o prates não conheça nenhum livro que tu tenhas citado, e por um momento leviano de meu pensamento, penso que, ainda bem.

fernanda disse...

q?

André disse...

quanta asneira, heim, júlia.

Victor da Rosa disse...

soube também que teria uma discussão sobre - chamava exatemente assim - "o futuro da literatura catarinense". achei que poderia ser o lançamento de alguma teoria conspiratória, mas não compareci mesmo assim. e acho bem curioso que sempre que a literatura catarinense é discutida, bem, a coisa acontece segundo dois enfoques: ou o passado ou (novidade!) o futuro. uma mesa sobre "o presente da literatura catarinense" realmente me surpreenderia. é provável que eu até comparecesse. presente de grego, talvez.

Anônimo disse...

estou perdendo o meu tempo aqui. espero que passe pelo crivo da censura!

Júlia: se tem prazer não pode ter comércio? como é isso? eu já paguei por prazer vária vezes. GRAÇAS AO GRANDE DEUS que tem gente que comercializa o prazer. o que seria de mim na ausência desse comércio. o que seria do mundo? atire a primeira pedra (aqui nesse blog) quem nunca pagou por um prazer. já paguei caro, inclusive. agora com essa crise, estou totalmente na mão! (com o perdão do trocadilho)
não entendi muito o seu raciocínio neo-hippie!
peço ajuda aos universitários.

Í.ta** disse...

victor!
bom voltar a este blog. gosto de teus escritos, de tuas reflexões.
particularmente, muito desta que estou comentando.

sobre biblioteca do sesc, sou eu agora um estagiário da biblio do sesc aqui de jaraguá. rsrs. estou curtindo bastante! =D

grande abraço!

Victor da Rosa disse...

Definição de censura para as novas gerações: moderação de comentários no blogspot.

Victor da Rosa disse...

Ítalo, que loucura, você cortou o cabelo!!?