26.5.09

A metafísica do relógio

A Semana de Letras da UFSC começou hoje e, depois de três anos, já mostra com mais clareza a que veio: mais um evento sem criatividade. No primeiro ano dá pra relevar a fraqueza da programação; no segundo já é possível começar a desconfiar; no terceiro só resta o desânimo pela constatação de que, com as repetições, o negócio não passará muito disso. É só passar o olho nos três dias da programação pra ver que não há nada muito além das coisas que se ouve na UFSC há dez anos, pelo menos. Nada contra ouvir os próprios colegas e professores falando, mas todo mundo espera alguma coisa nova, diferente, outra, etc. É o esquema cruel das comunicações que predomina: uma situação de 15 minutos pra falar de uma pesquisa de cinco anos em que o grande debate é sempre o tempo que resta para o sujeito concluir a própria fala - a metafísica do relógio. Não há sequer um convidado, nem uma palestrinha de abertura, nada. De resto, só em ler os tópicos já desanima: mesa-redonda, mini-curso, GT's, varal literário, socorro. E ainda me colocam uma linguinha fazendo hang loose pra representar o esquema. Não, passarei a semana escutando todos os verbetes do Abecedário de Deleuze, que acabei de descobrir no Youtube, entrevista pra fazer qualquer estudante periférico se encher de vontade de pensar. E assim vamos que vamos, Floripa.

2 comentários:

Júlia Eleguida disse...

a relevância do evento é servir a critica.

Anônimo disse...

a relevância é não ter relevância alguma, a não ser o henhenhen de sempre.