14.5.09

Reflexões de um homem que dorme

Com o tempo, ele aprendeu por conta própria a fazer diversas manobras quando não conseguia mais escrever. Tomava banho, fazia a barba, arrumava todo o quarto, reiniciava o computador. Vamos começar do zero, mas não. Vamos dar uma volta na praça. Quem escreve tem medo. Ele leu em algum lugar que escrever é encontrar o vazio. Vestia a roupa nova. Dormir sempre adiantava, pois dormir é morrer, mas nem sempre tinha sono. Mudar a fonte do word, mudar o rumo das coisas, abrir um novo documento ou - o branco, não, o branco: o desespero diante do branco - ou manipular as passagens do tempo. Nada disso adianta mais. O que pode ser feito quando não se tem mais sono, meu Deus? Ele tomava café, muito, litros, tudo por uma palavra, ajudava na concentração, enrolava o cachecol no pescoço, ficava nu diante do espelho e nada. Olhava na janela e nada. De longe tudo funcionava tão bem, nada. Era capaz de tomar cinco ou seis banhos no mesmo dia. Trocava de roupa, tirava os livros da estante, o quarto virava uma bagunça outra vez, lia coisas dispersas, anotava no canto dos livros e aquilo já era uma alegria, uma palavra que fosse! Na verdade, odiava os livros. Teria lido um único livro na sua vida, mas como escolher?

2 comentários:

Anônimo disse...

dormir é ótimo para essas coisas. mas para funcionar tem que dormir bastante.

Carol disse...

Sabe dramin? No mínimos dois...