25.5.09

Tornar-se velho de uma vez

Eu gostaria de ser um velho. Hoje é dia 25 de outubro, acabei de almoçar, e o que eu mais quero é me tornar velho de uma vez. Faço de tudo por isso. A maioria das coisas que gosto de fazer, com exceção de sexo, os velhos fazem melhor. Meu pai, por exemplo, vive dizendo que eu já sou um velho, mas me faltam muitas qualidades ainda, eu sei disso. Meu pai é muito novo pra saber destas coisas. Semana passada bebi um bocado com um velho e eu disse a ele depois de bêbado: não te direi das coisas desprezíveis, nojentas mesmo, e ele me respondeu ainda mais bêbado: as coisas nojentas são as que devem ser ditas. Só um velho pode dizer isso com aquela tranquilidade. E mais ainda: velhos ficam bêbados com rapidez, não precisam beber tanto. E depois ele me disse: eu nunca me apaixonei na vida. Eu gostaria de ser um velho porque os velhos não têm escrúpulos. Você acha normal um velho ter manias ridículas e isso é muito bonito. Um velho é abandonado e não há drama nenhum. Se eu sou abandonado, logo me desespero - esta é uma das coisas que a velhice ensina: não vale a pena se desesperar - mas um velho não. Deleuze um dia disse algo assim: quando me tonei velho, fui abandonado pela sociedade, e isto foi ótimo. Acho isso uma das melhores coisas que o Deleuze disse. Não há nada melhor do que a aposentadoria. Aposentadorias deveriam ser a primeira pauta de qualquer programa revolucionário. Eu sou o pai do meu pai.

7 comentários:

Anônimo disse...

bonito isso, victor. acho que de certa forma a velhice nos dá mesmo liberdade. e não sei se precisamos respeitar temporalidades e cronologias do tipo ser jovem enquanto é jovem e ser velho só depois de velho. mas também não é regra que a velhice aperfeiçoa e nem que o pior sexo é quando se está velho.
gostei muito do que escreveste, achei que irias nos abandonar. ainda bem que não. nós, os anônimos, te amamos!
a propósito, 25 de outubro seria teu aniversário?

Anônimo disse...

26 é o aniversário

Anônimo disse...

Uma dica:
Eu sou velho.

Anônimo disse...

O homem velho deixa a vida e morte para trás
Cabeça a prumo, segue rumo e nunca, nunca mais
O grande espelho que é o mundo ousaria refletir os seus sinais
O homem velho é o rei dos animais...
...
Os filhos, filmes, ditos, livros como um vendaval
Espalham-no além da ilusão do seu ser pessoal
Mas ele dói e brilha único, indivíduo, maravilha sem igual
Já tem coragem de saber que é imortal

Victor da Rosa disse...

sim, 26 de outubro.

na verdade, eu escrevi 25 de maio, mas achei redundante, então apaguei e escrevi 25 de outubro, que me pareceu mais simpático.

amar anônimo é fácil.

e claro que concordo que a velhice nem sempre aperfeiçoa, prefiro pensar a velhice como uma categoria abstrata, mas já não posso dizer muito sobre o sexo dos velhos.

Anônimo disse...

amar anônimo não é fácil.

Anônimo disse...

opa, agora estamos falando até de amor nos comentários...