18.6.09

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Gostaria mesmo de tomar um café, mas não vou insistir. Faria bem caminhar um pouco. Preciso do livro do Perec. E você não precisaria falar nada, pois prefere assim. Nos entendemos em silêncio até no telefone. A questão não é o entendimento, você está pensando agora. Eu me sinto menos só quando adivinho o pensamento das pessoas. Aliás, não te dá a impressão de ouvir a voz das pessoas nos chamando quando toca o telefone? Parece que não é o toque, é a voz. Meu aparelho começa baixinho e vai aumentando com o tempo, talvez seja por isso. Depois, há sempre uma expectativa. Faz dois dias que não toca, tocou agora. Não é bom quando toca, mas ficar o dia inteiro sem ser lembrado por ninguém também não é nada bom. Hoje de manhã eu saí pra tomar um pouco de sol e fiquei pensando sobre a memória. Eu vi um carro cinza igual o de meu pai e anotei uma frase, talvez você ache um pouco presunçosa. O esquecimento é uma felicidade improvável.

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