16.6.09

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Pronuncio várias vezes o teu nome até perder o sentido. Escrevo no espelho com vapor e apago. Teu nome parece que tem claridade, mas não. Tenho apenas o contorno do teu corpo. Poucas palavras já são suficientes pra que eu não tenha mais nada a dizer. Eu não seria capaz de falar durante tanto tempo, é desnecessário. Nada é pior do que escrever a segunda linha. Você escuta? Minhas mãos agora repetem um sopro fraco do vento e mesmo assim você escuta. Sempre gostei de ouvir a mesma música, você sabe, pois tenho a sensação de envelhecê-la como se faz com a roupa. Aliás, agora me ocorre, eu gostava também de arrastar isopor no muro porque quando olhava pra trás via mil pedaços na calçada, era música. Às vezes me excedo, desculpe. Você não diz nada e então eu perco os parâmetros. E se eu passasse a escrever cartas falando de coisas ainda piores? Quanto mais ela me abraçava, vou dizer, mais eu tinha vontade de chorar.

2 comentários:

ligia disse...

bonito isso...
"nada é pior do que escrever a segunda linha"
bem bonito...
beijo
li

Anônimo disse...

que coisa bonita, rapaz.