15.6.09

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O banheiro fica molhado e você terá que aprender a controlar o peso do corpo. O segredo eu não sei, mas você pode começar andando pela ponta dos pés. Depois, há sempre os lugares secos. Não tenho nenhuma intimidade com a queda, você sempre soube. Não olho para o alto, concentro no chão. Faz muito tempo não sonho que estou voando. Acabei de lembrar de uma carta tua. A vida não é feita só de negativas. Tento esquecer as coisas que me esperam, não é fácil, só penso no fim em meus momentos de fraqueza. O quarto, por outro lado, passa a ter um gosto úmido que me agrada. Quando abro a porta, de fato, o quarto me entra pela boca. Toda a sujeira nos azulejos é minha. Deito no chão. Passo o dedo pela lombada dos livros, mas não escolho. Repito a mesma música durante horas, ninguém reclama. Apago e acendo as luzes rapidamente porque o quarto é meu, posso queimá-las. Janelas não me faltam.

2 comentários:

Anônimo disse...

estou gostando muito da sua novela, victor.

Carol Marossi disse...

Wow, muito bonito isso tudo! Estou ansiosa pra ver (ler, claro!) o resultado final.

Beijo, Victah!