8.6.09

Fui, dormi e gostei

Conheci um sujeito que dizia isto: fui, dormi e gostei, acho uma boa teoria. Dormir no cinema é montar, só o leitor que dorme é um montador em potencial. Quer dizer, você pega o filme no momento em que dormiu, depois você junta com o outro momento do filme em que acordou, e então faz a própria montagem, única, aliás, absolutamente provisória, nunca será a mesma. Você viu um filme que só você viu. Você sai do cinema e não poderá/precisará comentar nada com ninguém. Você perde o direito de ter opiniões, é bárbaro. Além do mais, a crença de que é necessário ver filmes do início ao fim só serve pra filmes caretas, narrativos demais. Em meus filmes preferidos, por exemplo, eu nunca consigo chegar até o final. Um amigo dizia que Wim Wenders dá sono e eu perguntava a ele: mas não é ótimo!? Ele insistia na idéia de que Asas do desejo é um filme chato e então deixou de ser meu amigo. Com Wenders é assim: ame-o ou deixe-me. Wenders resolveu meu problema de insônia, quando eu tinha 16 anos. Em Stalker, então, eu durmo fácil na cena dos trilhos. Na verdade, eu dormi durante a metade do espetáculo da Pina Bausch, o único que assisti, mas já é outra coisa. Há uma hora em que você não precisa mais ver nada. Feche os olhos e veja, dizia Beckett. Também penso assim.

2 comentários:

Pedro Bennaton disse...

Win Wenders e aprendenders.

valquiri.a disse...

hahahahaha!