29.6.09

Graças a Deus

Resolvi abrir uma exceção e torcer (moderadamente) para a seleção brasileira, na final de ontem - contra os EUA, de fato, não dá pra secar, e assistir jogo de peladeiros sem torcer pra ninguém não tem graça nenhuma. Mas eu não tinha televisão e até encontrar uma, em um domingo em que todos os lugares estavam fechados, mas sem desespero algum, perdi o primeiro tempo. Ouvi uns fogos, imaginei que a seleção brasileira estava ganhando fácil, os gringos têm perna de pau, e fiquei muito surpreso com o placar de 2 x 0, no intervalo. A primeira coisa que pensei - e alguns de meus posts não me deixam mentir, não é, Lucian? - foi no quanto tenho o pé frio! Mas, no fim, o Luís Fabiano tirou mais uns golzinhos do lugar nenhum, a seleção foi campeã, como todo mundo sabe, graças a Deus, e então tivemos que assitir a um espetáculo pavoroso de reza braba bem no meio do campo e mais meia dúzia de jogadores com o constrangedor enunciado estampado na camiseta branca: I love you Jesus. Duvido que jogadores como Edmundo, Romário ou Casagrande se ajoelhassem assim, por nada. O discurso de Kaká, a cara desta seleção, que paga 10% de todo dinheiro que ganha para a Igreja Universal, é o mesmo discurso de Zagalo em duas Copas atrás: agora vão ter que falar bem de nós, leia-se: vão ter que me engolir. Pelo menos Kaká não pede o entusiasmo da torcida - sua fala é pra imprensa - pois o entusiasmo sabe que não terá. De minha parte, graças a Deus, tenho cada vez mais motivos pra falar mal.

Atualização: só hoje, três dias depois, encontrei um texto decente sobre a reza de domingo - Divino futebol, de Ricardo Acampora, aqui.

Atualização: "Fifa repreende comemoração religiosa do Brasil na África", aqui.

2 comentários:

Pedro disse...

E essa de virar jogador virar a própria camisa do lado ao contrário para ficar se mostrando com o nome e o número virados para a frente? É para inaugurar um troca-troca?

Anônimo disse...

recadinho para o kakaca: vai pro inferno desgraçado!