3.6.09

A poesia brasileira que não saiu do armário

Tenho algumas cismas com Drummond, nada sério, é um grande poeta, sim, coisa só de temperamento. É chato ficar explicando algumas coisas. Tenho um amigo também que cisma com aquela história de que o operário não vê a rosa. O operário tem mais o que fazer, em resumo. Eu cismo com a Quadrilha, que considero uma das grande aproximações que Drummond fez entre poesia e prosa, mas não me conformo com o fato de que não há nenhum viado na história. Depois que passei a morar com um gay comecei a ter estas idéias, tirar fotos com borboleta no cabelo, etc. De qualquer maneira, acho mesmo um pouco improvável que não tenha nenhum viado no meio daquela galera toda. Uma coisa que penso é que o ciúme heterossexual é uma forma polida de baitolice. Você não sente ciúme por uma pessoa que não te atrai ou, vá lá, que você respeita. E nesta idéia eu fiquei me perguntando o que Teresa pensava de Maria, o que João pensava de Raimundo, mas principalmente sobre a Lili, que não amava ninguém, como assim, Lili? É um caso típico de lesbianismo não amar ninguém na juventude. No poema, a Lili acaba casando com J. Pinto Fernandes e provavelmente passou a compor o quadro de mulheres brasileiras que não gozam. Aliás, este segundo nome do J. Fernandes não é aleatório. Enfim, minha cisma acabou provocando um poema bem vagabundo, olha a ambiguidade, Quadrilha relida, publicado no Centopéia, aqui. Espero que vocês gostem.

9 comentários:

Anônimo disse...

gostei do seu poema, victor. ficou divertido.
mas para mim não tem nada de estranho entre 7 pessoas (contando com o j pinto) não haver nenhuma homossexual. tenho muitos conhecidos gays (alguns são amigos próximos), mas acho possível montar uma quadrilha com mais de 10 héteros sem problemas. no entanto, já teve outra pessoas que se preocuparam em montar uma quadrilha mais divertida. andré abujamra foi um deles, ele não só fez um novo poema, uma nova quadrilha, como fez uma canção. só que no caso dele o gay é participante indireto, mas foi lembrado:


Espinho na roseira

Tem espinho na roseira
Cuidado vai cortar a mão

Pedro Alcântara do Nascimento amava Rosa Albuquerque Damião
Pedro Alcântara amava Rosa, mas a Rosa não amava ele não
Rosa Albuquerque amava Jorge, amava Jorge Benedito de Jesus
E o Benedito, Bendito Jorge, amava Lina que é casada com João
E o João, João sem dente, amava Carla, Carla da cintura fina
E a Carla, linda menina, amava Antônio Violeiro do Sertão

E o sertão vai virar mar
E o mar vai virar sertão

E o Antônio, cabra da peste, amava Júlia que era filha de Odete
E a Odete amava Pedro, que amava Rosa que era prima de Drummond
E o Drummond era casado com Maria que era filha de Sofia, mãe de Onofre e de José
E o José era casado com Nazira que era filha de Jandira, concubina de Mané
E o Mané tinha 17 filho 10 homi e 6 menina e um que ia se resolver.
E o rapaz tava já na adolescência tinha brinco na orelha e salto alto prá crescer.

Tem espinho na roseira
Cuidado vai cortar a mão

E o Rodolfo que já era desquitado era homem mal amado não queria mais viver
E encontrou Maria Paula de Arruda que lhe deu muita ajuda fez seu coração nascer

E são essas as histórias de amor
Que acontecem todo dia sim senhor

Anônimo disse...

ops... corrigindo minha inconcordância: já tiveram outras pessoas

Pasquale disse...

"Perdeu, playboy".
Não adianta errou na concordância, estragou o comentário.

Anônimo disse...

E o Pasquele errou no uso das vírgulas. Tsc, tsc.

Anônimo disse...

... e eu errei ao digitar "Pasquale". Isso aqui 'tá tudo errado mesmo! :p

Victor da Rosa disse...

tudu, naum.

Caroline disse...

É nem tudo. Minha chegada é um exemplo de que as coisas (ou tudo) estão dando certo...
Adorei o blog, vou visitar sempre!

Christiano Scheiner disse...

ahahaaahuahauahuahau eu adorei. certamente, e mais o post, que belo post crítico! \o/

Anônimo disse...

é a quadrilha dos sete erro.