28.7.09

As cinzas de um debate

Não considero que qualquer experiência valha a pena. Discordo da idéia de que o que importa é fazer, dar as caras, como se diz. Esta idéia, a meu ver, dá margem pra muito engano. De boas intenções, já dizia o diabo, o inferno está lotado. Por outro lado, naturalmente, acredito que o silenciamento é o efeito mais abominável da censura. E não se faz cultura com nivelamento. Por isso tenho dúvidas se a resposta que a professora universitária Fátima Lima escreveu ao meu texto tem alguma validade. O artigo em questão deve servir, pelo menos, como medida de nossa própria pobreza. A rigor, há um acúmulo desproporcional de ofensas puramente pessoais e dois argumentos precários, falsos. Diego Cervelim, aqui, identifica com precisão, a meu ver, o que está em jogo em uma intervenção como esta.

Há muitas pessoas dizendo que existe um debate acontecendo na cidade, no jornal; há outras argumentando que meu texto alcançou algum objetivo. Não é verdade. Não há debate algum. Há as cinzas de um debate. O que era o debate está perdido, de fato. Também não há nenhuma rivalidade. Não pode haver rivalidade entre Flamengo e São Cristovão. Simplesmente não há nível de argumentação, não há interlocução nenhuma. Acabo de mandar o texto de resposta para o editor do Caderno de Cultura somente porque fui atacado de modo vazio e grosseiro. Se o artigo em questão não fizesse tantas ofensas - se a autora ficasse no limite de seus argumentos ruins - certamente eu teria lhe ignorado completamente. Mas calar diante de difamação pública não é do meu feitio. O debate, de qualquer modo, quer me parecer morto.

9 comentários:

Anônimo disse...

quebra tudo victor!

Anônimo disse...

victor, pq vc não escolheu outra profissão menos insalubre, tipo juiz de futebol? na boa, essa de ser crítico de arte por aqui não tem futuro.

alckmar disse...

Ora, justo quando estou longe de Florianópolis / São José, acontecem coisas que chacoalham um pouquinho o marasmo. Há uns anos, perdi o furacão Catarina; agora, perco esse debate natimorto (segundo o Victor). Mas isso tudo é alvissareiro, já que mostra, sem sombra de hesitação, que a cidade está antenadíssima com o clima cultural brasileiro. O que impera é o silêncio do compadrio, ou o ataque pessoal. No meio, onde deveria haver algum debate estético e artístico mais sério, um imenso buraco. Nada. Nugas. Niquices. Admiro a paciência do Victor. Aposto que é por causa desse "C" mudo que ele carrega no nome. Dá uma inveja danada aos que não o têm!

Sua outra Professora do CCE disse...

Torço para que você, nesse segundo texto, mire e acerte no alvo correto, sem covardia.

Ruy Vasconcelos disse...

victa,

valeu os comentários!

ñ pense q. esqueci a revista... apenas inda ñ fui aos correios. mas esta semana ela segue. e vai até com uma prenda a mais. pra compensar o atraso.

abs.

parece q. o ceará [q. é sporting, 1914] anda tentando tomar a vaga do figueira. isso é perigoso, quando o alvinegro daqui embala vai pras cabeças. já decidiu até copa do brasil com o grêmio nos anos 90. pra consolo do figueira não há time mais regular q. o ceará. não cai, mas também não sobe. é a equipe está a mais anos na segundona. então, tem esse atenuante.

Anônimo disse...

tenho inveja do c mudo. gostaria de me chamar acnônimo ser bonito, inteligente, popular e ter um blog bacana. ah, tb queria ter estilo na escrita e no vestir e um belo cachecol. I love you, viCtor.

....

fazia tempo que não vinha por aqui e que imbróglio, não? espero que as cinzas no final virem uma bela fênix.

Anônimo disse...

"o melhor nome pra nossa cidade, a meu ver, é terra do nunca: uma ilha cheia de gente infantil e que nunca chega a lugar nenhum."
antes era a terra do "já foi" - conseguiu ficar pior ou estamos aprendendo a olhá-la com olhos mais ácidos finalmente.

Anônimo disse...

Estou admirado com esta outra professora do CCE. Quero um cão de guardas desse para mim!

Anônimo disse...

http://lorotasemlorota.blogspot.com/