24.7.09

As três fases da crítica

Minha longa trajetória como crítico, segundo fontes inseguras, é dividida em três fases. Minha primeira fase é, como quase sempre acontece, a fase desconhecida, discreta, incerta. Eu escrevia umas coisas legais, mas muito acadêmicas, dois ou três amigos comentavam, ninguém lia, meu pai se orgulhava, por vezes eu recebia um comentário por e-mail. De fato, lembro que recebi um email entusiasmado de uma professora universitária que depois nunca mais me respondeu quando descobriu que eu tinha 19 ou 20 anos. Por rancor, passei anos sem revelar a idade. Depois disso eu comecei a fazer muitos amigos artistas em Florianópolis e então eu passei a escrever sobre a obra de todos. É a fase áurea. Os textos eram sempre elogiosos, continuavam acadêmicos demais, por vezes, pouca gente entendia muito bem, pouca gente comentava sobre eles, eu também fazia umas entrevistas, mas nada disso importava muito - importava é que todos gostavam de mim e eu andava pra todos os lados com um baita sorriso no rosto. Mas a fase áurea, infelizmente, não durou muito. Coisa de temperamento, talvez. E logo veio a fase decadentista. É a fase em que me encontro. Comecei a falar mal de todo mundo, abri um blog, depois um twitter, fugi da casa dos meus pais, escrevi uma crônica confessando que roubava livros, toda a minha família me chamou a atenção, entrei no aluguel e ainda passei a intitular meus textos com letras de funk. É a vida. Este eterno movimento. Comecei como crítico de domingo, depois passei a ser um crítico de segunda e acabei como crítico de quinta.

3 comentários:

Neben disse...

oi victor

como vai? na quinta os ares são mais amenos. melhor assim.

abraço.
cristiano moreira

Anônimo disse...

acho que vc merece, jovem crítico blasé

Í.ta** disse...

eu ainda tô na fase do domingo :)
e te admiro!
ou seja, ainda vou chegar no estágio em que estás. e com prazer!

abraço grande!