10.7.09

Habermas e a minha mãe

Habermas só acredita na teoria da ação comunicativa porque não conhece a minha mãe. Vamos concordar. Minha mãe é a pessoa mais fofoqueira que eu conheço. E a fofoca, na boa, é a maior prova de que não existe comunicação estável. Depois, a fofoca não vai acabar nunca. É humana, demasiada humana, como diz - aliás - a minha mãe. Não tem solução: o sujeito fofoqueiro é movido por um desejo incontrolável de narrar - aliás, Benjamin também não conheceu a minha mãe. Quem ouve a fofoca, por sua vez, o segundo fofoqueiro, é movido por um desejo incontrolável - que é o desejo da própria imaginação, afinal - de deformar a declaração narrada. Barthes - que não conheceu a minha mãe, mas é como se tivesse conhecido - não me deixar mentir sobre isso: quem copia, de fato, deforma. A fofoca é uma narrativa performática porque atua não apenas na comunicação de um sentido, mas também - e sobretudo - na deformação de significantes. Em uma definição, a singularidade da fofoca consiste em mínimos desvios da forma. Quer dizer, se trata de um processo de linguagem em que, de modo extremo, você já tem o referencial perdido desde a origem, desde a escuta. E ficamos enfim nesta deliciosa tautologia do erro.

4 comentários:

Anônimo disse...

acho legal que vc esteja conseguindo aumentar o número de páginas da sua dissertação, fico feliz por vc. agora, essa mudança de foto, não sei não, acho que esse ângulo não te favoreceu. tipo assim, seu nariz, parece postiço, como o daquelas máscaras que a gente vê na tv que vem óculos, nariz e bigode, tudo junto...
achava a última meio estraha, mas sem dúvida, melhor que essa.

Victor da Rosa disse...

e esta, que tal o nariz?

Anônimo disse...

o nariz, nesta foto, está ótimo =).
olha, não tenho nada contra o seu nariz, acho ele bonito. é sério. por isso dei o toque da foto anterior, naquela foto vc não tava fazendo juz a beleza dele.

Carol Marossi disse...

Victah, você alegra minhas manhãs! :-)

Beijinhos direto da vila de Piratininga.