9.7.09

Pero Vaz, sai do chão

O Circuit Club fechou e os donos escreveram uma carta bem engraçada e estúpida. Vale a pena ler, de verdade, aqui. Aviso: ler com humor, cautela e maldade. De fato, não há uma frase que não seja digna de análise - as boas intenções neo-coloniais de Fabio Roncatti e seu amigo londrino, por exemplo, são interessantíssimas, assim como sua comparação entre "boate gay" e "casa de prostituição", uma pérola (queria eu ter tempo pra comentar frase por frase!) - mas há um momento em que a carta se destaca nas alturas: Sabemos que a população Florianopolitana [sic] é predominantemente de origem Européia [sic], o que nos dá esperança de que em outros moldes, e corrigindo as falhas mais básicas, um empreendimento do gênero possa ser bem sucedido. Quer dizer, primeiro, o sujeito assenta um preconceito em cima de um equívoco, e vice-versa, em uma frase só. E, depois, bród, qualquer pessoa que vai nas Devassas da vida já consegue sacar que a galera de Floripa gosta mesmo é de Dança da Motinha. Quando toca, a galera sai do chão. Inclusive os europeus mais refinados e também os (bons) DJS "mais modernos e recentes" - que não fariam sequer uma farpa de sua música sem qualquer aula de percussão da mais bárbara, digamos assim - todos eles também saem do chão. Aliás, até Pero Vaz de Caminha saiu do chão quando viu a galera dançando a Dança da Motinha - versão pré-moderna - em terra desconhecida. Mas voltando: no final da despedida - durante toda a carta é assim, embora o final seja sempre o lugar mais desesperado e, portanto, mais flagrante - o sujeito deixa claro, sem querer, mas muito claro, claríssimo, de fato, que está triste mesmo é com os euros que perdeu. Cito: é extremamente natural alguém que investiu suas economias em uma cidade e foi tratado muito mal sentir-se desta forma. O resto é, como dizem, pura especulação.

4 comentários:

Anônimo disse...

achei a carta deplorável.

Anônimo disse...

já vai tarde haule

Anônimo disse...

os gays que me perdoem, mas essa carta tá uma coisa bem gay ressentido.

Victor da Rosa disse...

se o sujeito é gay, ele não tem a menor consciência de classe, digamos assim. fica algo perto do falecido clodovil, que deus o tenha. é tipo mulher machista.