30.7.09

Sopro #14



Cada vez mais acredito que a discussão sobre arte e política deva sair dos meios oficiais, que estão sempre mais oficiais, para encontrar outras alternativas de publicação. Editado de modo meio heróico por Alexandre Nodari e Flávia Cera, um periódico como o Sopro, que chega a sua décima quarta edição, é uma excelente prova disso. De fato, não conheço sequer um jornal brasileiro - e nem mesmo periódicos sérios da internet - que publicam textos com a qualidade que o Sopro publica, pelo menos nesta linha editorial. Nenhum. Na última edição, por exemplo, aparece simplesmente aquele que considero um dos textos mais fundamentais para discutir arte contemporânea, as Teses sobre arte contemporânea, de Alain Badiou. E há traduções inéditas de Nancy, Zizek, Agamben, enfim, textos impensados. E há inéditos de alguns ensaístas brasileiros. Uma rápida passada de olhos pela página do periódico, aqui, serve pra ter noção do que está sendo proposto ali.

A seguir, reproduzo uma breve explicação de Nodari a respeito do Sopro: O Sopro é, basicamente, uma publicação quinzenal pequena (são 4 páginas formadas por uma folha A4 dobrada ao meio) - e daí o nome, é um Sopro, algo de leitura rápida - totalmente feita em casa. Diagramamos, imprimimos e fazemos a versão virtual aqui em casa. A idéia é focar em dois tipos de textos: as resenhas e os verbetes. Ocasionalmente, aparece a seção Debate, mais ligada à política em sentido estrito. Decidimos também criar uma seção de Arquivo, onde pretendemos publicar textos pouco conhecidos (ao menos do público de língua portuguesa): traduções de textos "lado B" de autores consagrados, textos instigantes de autores desconhecidos, inéditos encontrados em arquivos, etc. Os "ready-mades" completam os números: são pequenas citações arrancadas do contexto e re-conectadas a(os) texto(s) do número. Também já utilizamos ilustrações, no número 3, mas o espaço nem sempre permite. As colaborações são espontâneas (começamos com colegas próximos, mas a rede vai se expandindo aos poucos, e é esta a intenção - ainda que não pretendemos fazer do panfleto um mural policrômico, não somos relativistas, há uma linha, tênue, é certo, que guia a publicação). Em suma, a idéia não é lançar idéias ao vento, mas assoprá-las, isto é, um gesto, um gesto político de vida. Um pequeno sopro de vida, nada mais, nada menos.

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