3.8.09

A carroça, o bonde e o poeta modernista (III)

Há exatamente um mês, um aluno do curso jornalismo da UFSC, Alex Sobral, como trabalho de uma disciplina de estética, grafitou na parede do fundo de uma sala de aula. Resultado: o departamento mandou imediatamente pintar a parede de branco outra vez e fez ameaças até graves ao aluno, como a de expulsá-lo, que eu não sei se é verdade - alguém pode confirmar? O gesto, a meu ver, expõe as contradições mais precárias de uma instituição - que legitima um curso sobre estéticas de vanguarda, aprova o trabalho de um aluno (o grafite, de fato, era um trabalho de conclusão de curso, coerente com a proposta da disciplina, segundo a professora) e ao mesmo tempo deve agir para apagar o gesto que ela mesmo legitima. Era quase férias e, parece, pouca gente ficou sabendo dos acontecimentos. Há uns dias, no entanto, a professora escreveu uma carta, enviou para o chefe de departamento, tirou o grafite do lugar de poder e recolocou o problema em um campo crítico. Segue a carta, publicada no blog com as devidas autorizações.



De: Profa. Aglair Bernardo

Para: Coordenação do Curso de Jornalismo

Prof. Áureo Moraes

Prezado Professor

Venho informar-lhe que, quando cheguei na manhã do dia 03 de julho para concluir a disciplina que leciono, Estética e Comunicação de Massa, dia em que seriam apresentados os trabalhos finais, fui surpreendida não apenas com a inscrição no fundo da referida sala mas, também, com outros elementos, igualmente expressivos, dispostos ao interior do ambiente. Imediatamente eu os relacionei aos trabalhos finais, já que os alunos deveriam apresentar um trabalho que envolvesse processo criativo no campo das linguagens, empregando formas diferenciadas de expressão. Ainda que eu, previamente, houvesse informado aos alunos os limites dos trabalhos, observo que eu não citei em nenhum momento que gestos relativos aquele tipo de inscrição, um grafite, não poderiam ser realizados. Deste modo, aquele gesto criativo estava adequadamente contextualizado e relacionado aos conteúdos ministrados e debatidos em sala de aula durante o semestre.

Observo que uma, entre tantas outras tantas questões abordadas durante o desenvolvimento da disciplina previstas na ementa e em seus objetivos - o conceito de arte em seus distintos contextos históricos com ênfase no ambiente das vanguardas do início do século XX, bem como as diversas acepções do conceito de feio e belo ao longo da história da cultura ocidental, o grotesco e o sublime, o conceito de estética no âmbito da comunicação e do cotidiano – foram, igualmente debatidas questões que dizem respeito às formas não-autorizadas de expressão, muitas delas consideradas marginais, como o grafite, e sua relevância como forma de comunicação urbana. Convém observar que o grafite tem uma longa história como forma de expressão, principalmente em sociedades com características autoritárias e em sociedades onde determinados sujeitos sociais, muito freqüentemente oriundos das periferias urbanas, não são adequadamente contemplados pela mídia, pelo poder público etc, etc. É nos muros da cidade, em suas fachadas, em seus diversos suportes, ou seja, é no espaço público das ruas que jatos de spray rapidamente traduzem sentidos de várias ordens e manifestam sua existência em um tipo de modalidade discursiva cuja imagem parece-nos dizer: eu existo, eu passei por aqui. Sempre digo que prefiro ver um jovem com um spray na mão do que vê-lo usando uma arma.

Mas, por quê manifestam-se desse jeito e não de outros, com reivindicações mais explícitas e já contempladas e legitimadas pela tradição política? Ora, os modos de se fazer política são variados, as formas de expressá-la também são, assim como também são diversas as formas de dialogarmos com o mundo e de nos comunicarmos com tudo o que nos cerca. O grafite pode ser entendido, nesse aspecto, como uma forma específica de comunicação que surgiu na cidade, disputando e convivendo com outras visualidades, integrando-se ao universo dos fluxos imagéticos que a encharcam diariamente. Convém aqui explicitar que estou tratando de uma forma específica de grafite e não de outras, identificadas em nosso cotidiano.

É no mínimo instigante pensar que em sociedade hiper inflacionada em imagens de todos os tipos o grafite perturbe, cause indignação, seja visto por muitos como sujeira. Há que se perguntar se são as imagens consideradas sujeiras ou se são os seus autores pela sua condição social ou pelo gesto subversivo que está por trás delas. Isto porque, se compararmos muitas das imagens produzidas pelos grafiteiros, poderíamos pensar que muitas delas são bem mais interessantes plasticamente do que aquelas oriundas de outras fontes como a publicitária, entre outras que se dispersam pela paisagem urbana e que já fazem parte de seu cotidiano. A indignação poderia, neste caso, ser interpretada como uma reação ao gesto que a produziu, ao seu autor, seu contexto social, e ao fato de redistribuírem o espaço público da cidade, confrontando autoridades e poderes de vários tipos como o policial, a propriedade privada, o patrimônio público, ou seja, o controle político da cidade. Creio que a indignação que causou o grafite em sala de aula não é muito diferente da indignação que causa para muitos o grafite na cidade.

Quando Ziraldo veio ao curso e fez seu desenho na parede, sua imagem imediatamente foi emoldurada. Isto quer dizer que nossa sociedade atribui valor diferenciado às imagens em função de suas autorias. Enquanto que a moldura e o vidro protegem um desenho, já gasto de Ziraldo - dada a serialização e repetição daquela imagem em outras mídias -, celebrizando-o e cultuando-o, a expressão de nossos alunos nas paredes fica contida aos murais e quando ela os ultrapassa é entendida como sujeira e como um gesto de desordem.

Foi desconstruindo paradigmas, refazendo perguntas, desorganizando sentidos, incorporando o gesto como arte que Duchamp nos deixou um rico legado para problematizarmos os sentidos e valores atribuídos ao que é arte, suspendendo as convenções mais corriqueiras que caracterizam o que é bom e mau gosto. Lembremos a clássica pergunta “O que isto está fazendo aqui?”, formulada em 1917 quando Duchamp exibiu um urinol masculino em uma galeria em Nova York, nomeado-o como Fonte. Observo que tal evento e outros que se seguiram, dado o contexto provocador daquele período, foram exaustivamente debatidos em aula e utilizados como exemplares do universo inquietante da história das idéias na cultura ocidental no início do século. Observo que, infelizmente, os critérios ainda utilizados para caracterizar o que é válido como forma de expressão sustentam-se na idéia de um certo conceito de beleza e que por desconhecimento da história de nossas imagens não consideram a complexidade que as envolvem, bem como a potência que algumas contém em questionar paradigmas, desorganizar sentidos e deslocar idéias. Entendo assim que o gesto provocador da turma de estética e o mal estar gerado no curso de jornalismo pode ser entendido como similar ao que os vanguardistas do início do século vivenciaram. Foi criando um mal estar e chocando os humores daquele período que idéias foram deslocadas e a liberdade de expressão adquiriu uma força poética e política do qual somos herdeiros até os dias atuais.

Dado o contexto de reflexão da disciplina que leciono e o objetivo final dos trabalhos a serem apresentados no último dia de aula, informo que aquele grafite estava perfeitamente contextualizado. Lamento, sinceramente, o ocorrido e o tomarei como exemplo para que gestos desse tipo não se repitam. Acrescento, ainda, que me surpreendi com a maturidade da turma ao não pretender delatar o seu autor e assumir aquela expressão como resultado de uma expressão coletiva. Isto porque aquele gesto, assim como outros, cujos vestígios foram apagados, só foi possível como obra de uma turma extremamente criativa e sensível.

Podería-se até perguntar o que gestos dessa ordem têm a ver com o jornalismo. Parto da perspectiva que experiências contrastantes no campo da linguagem conseguem esclarecer melhor as diferenças, produzindo uma consciência maior do processo de feitura das estratégias mais usuais empregadas na feitura de outras modalidades textuais.

Informo que a parede da sala 143 voltará ao seu branco silencioso, ainda que eu continue a ver nela o gesto ousado e criativo dos meus alunos de estética.

Agradeço a oportunidade que Vossa Senhoria me concedeu para esclarecer os fatos ocorridos na sexta-feira do dia 03 de julho de 2009.

Atenciosamente,

Aglair Bernardo

27 comentários:

andré disse...

Vale sempre lembrar que Duchamp levou um urinol, nao mijou na parede.

Victor da Rosa disse...

O movimento, a meu ver, é semelhante.

Trata-se de inserir um objeto imprevisível - não está em questão a qualidade do objeto, a princípio, mas o gesto mesmo - em um espaço institucional sob a legitimidade da própria instituição. Duchamp só conseguiu inserir um urinol no Salão porque fazia parte do Salão. É este paradoxo que mais importa, no meu modo de ver. O poder é flagrado aí.

O argumento de que o grafite é feio - e eu não o considero feio - quer acentuar o estético (o belo, a rigor) e apagar o que é político ali.

andré disse...

Sob a legitimidade da propria instituicao? No caso da UFSC?

Victor da Rosa disse...

Sim, você não acha?

Trata-se de uma disciplina do currículo, aprovada pelo departamento; e o aluno teve uma boa nota com o trabalho, segundo avaliação de uma professora com competência reconhecida.

andré disse...

Victor, se um professor da um tiro na cabeca de um aluno durante a aula, isso nao significa que a instituicao apoiou o gesto.

Anônimo disse...

na filosofia tem uma disciplina que estuda o suicídio, tá no currículo, tá institucionalizado, mas nunca vi nenhum professor apoiar institucionalmente o suicídio de um aluno como defesa de um trabalho. mesmo pq de que vale um dez para um defunto?

penso que fazer o grafite não tem nada de mais, deve ter sido um bom trabalho se teve uma boa nota, não dá para discutir a avaliação, pq esta fica a critério do professor. mas trata-se de uma aula, um trabalho final, não uma obra que deva ficar para a posteridade. gosto da aglair, gosto de muitas coisas que ela propõe e gosto principalmente do fato dela apoiar seus alunos, não limitar suas criatividades por mais tola que possam ser às vezes. gosto muito disso nela. mas, na boa, não sei o que tem de errado (ou de autoritário) em pintar a parede de branco novamente. a parede serviu de suporte para a apresentação de um trabalho e não para expressar a falo dos esquecidos pela mídia (argumento meio esquisito se tratando de universitários de classe média, alunos justamente de jornalismo). então, trabalho concluído, aula dada, apaga-se o quadro, ou melhor, pinta-se a parede outra vez. este semestre tem mais!!!
comparar a grafitagem com o desenho do ziraldo tb foi viagem, pura viagem...

Anônimo disse...

ah, só continuando:
acho a discussão sobre o grafite que a aglair levanta nesta carta muito válida. gosto da forma como ela vê o grafite e o que ela escreveu me ajuda a ampliar minha visão a respeito dessa forma de expressão artística. só acho que ela não é válida para a situação específica, ou seja: apresentação de um trabalho final de disciplina - uma coisa são os grafiteiros na rua, na cidade, outra coisa são os alunos querendo ganhar uma boa nota no trabalho.

Victor da Rosa disse...

A força da reação deve ser medida. Acho que o gesto de pintar a parede, por si, não significa muita coisa. Importa mais o modo como esta negociação aconteceu. Soube que o aluno, por exemplo, foi ameaçado de afastamento, qualquer coisa assim. Talvez fosse o caso de alguém da turma dar mais detalhes sobre isso.

Anônimo disse...

pixar paredes de instituições públicas que o povo sustenta é um absurdo. é como martelar a parede de galerias. ta na hora de prender essas turmas que pensam que sao artistas, mas no fundo sao marginais.

Anônimo disse...

eu assino embaixo

Anônimo disse...

Vou me inscrever nesse curso.
E quando tiver que apresentar um trabalho de fim de curso, vou fazer um lance multimídia.
Vou levar uns 6 ou 8 pintinhos e um estilingue e atirar contra a parede.
A performance fica no grito dos pintinhos e dos colegas, e na mancha de sangue - se der sorte pode até espirrar merda! uma boa referência.
Como tenho certeza absoluta que a professora não vai explicitamente nenhuma menção a "atirar pintos contra a parede", por princípio fica contextualizado.

Mais imprevisível, impossível.

Se alguém se antecipar por ler esse comentário, sempre tem codornas, filhotes de ratos ou outros bichos. Ou excremento fresco. Qualquer coisa tá valendo em nome da arte.
É isso.

Anônimo disse...

Aproveitem a parede branca, sentem e meditem, tal qual propõe o zen budismo.

Anônimo disse...

esse post dos animais me lembrou o "artista" Guillermo Vargas Habacuc: para homenagear Natividad Canda (um nicaraguense morto recentemente devido a um ataque feito por dois cães da raça rottweiler) capturou um cachorro de rua doente - que morreu de fome diante dos olhares do público. Isso sem falar em outras "obras" que expuseram animais de outras formas também absurdas!! Arte Infeliz!!

Quanto ao post: acho que o aluno ter grafitado a parede é um trabalho show, nota 10 mesmo!! meu estilo!! Só que assino embaixo do post lá de cima, é um trabalho (fez, ganhou nota e pronto), pode-se discutir o fato do aluno ter sido ameaçado, mas pintar a parede tá é certo!!

Anônimo disse...

A nota foi dez

Anônimo disse...

Somente uma professora com a sensibilidade da Aglair para surtir coma algo do tipo.
Não sou aluno dela, nem nunca fui, porém sua fama corre mundo.

Victor da Rosa disse...

O que há de curioso no truísmo mais repetido da arte contemporânea - "isto eu também faço" - é que ele sempre aparece atrasado. Quer dizer, o "isso" se refere sempre ao passado, a algo que quem enuncia poderia "facilmente" ter feito, mas não fez, e outra pessoa fez primeiro.

jess. disse...

a questão não é os limites do trabalho ou da disciplina, mas a atitude precipitada do Departamento, que pelo que ouvi criminalizaria o aluno, não fosse a intervenção da profa. Aglair... precisamos disso? o estudante evidentemente agiu partindo da ideia de que havia abertura para tal. mas é assim que as coisas são: gestos verdadeiros e ousados são vistos com desdém ou desconfiança em tempos em que nada é legítimo.

Marcio Magalhães disse...

Acho que de uma forma direta o trabalho, pelo fundamento defendido no texto pela professora de nome estranho, teve 100% de êxito. Discutir novas formas de linguagem, e inclui aí as marginalizadas socio-culturalmnete, também é função da academia e o desenvolvimento de seus membros é de vital importancia para que se cumpra sua missão.

Se a ação escandaliza tanta gente, se incomoda, se provoca asco inimaginável, é porque tem algo de errado com a forma como tas pessoas veêm o mundo, incluindo algumas pessoas que estão se qualificando para serem jornlaistas; a vanguarda da sociedade, que tecnicamente não deveria ter preconceito e parcialidade.

A atitude ousada do trabalho deve ter requerido bastante cunhões, até mesmo da professora de nome estranho.

Victor da Rosa disse...

Olá, Jess.
Eu acho que é impossível analisar a reação do departamento sem levar em consideração o gesto do aluno.
De qualquer modo, sim, concorto, o acento deve ser colado aí: na criminalização da experiência.
Só resta saber - "ouvi dizer" não vale tanto - qual foi a reação efetiva do departamento.
Grato.

Marcio Magalhães disse...

Mas quem é o bode?

Franco disse...

Urinol, Xixizin, sprayzinn e grafitinnn

que azarado o Sobral, nao tem o reconhecimento que Ziraldo tem. Fez xixi na sala e fedeu mais que tiner!
Culpado talvez por nao ter usado fraudas na paredes pra limpar a sujeiro depois. Isto me fez lembrar os trabalhos de pré escolar que decoram a sala de aula, que não fedem pois são fixados com lindos granpinhos de roupa no barabante! Enfim numa instituição de ensino academico e publico é de regra, teóricamente, local de audáciosas expressões. Mais plausivél para o academico do que para um "menino-maluquinho" reluzente a respeito antológico!

Nítido problema no fluxograma educacional da Instituição!

Salve Sobral, Alex!

Marcio Magalhães disse...

Ouvi Dizer que alguns professores estão exigindo a expulsão do garoto.

Anônimo disse...

ainda bem que tem gente que pensar diferente ainda dentro daquelas paredes.

Alexandre Nodari disse...

Na prática a teoria é outra... Bom mesmo era o outro Rosa, o Ademir. Aquele sim sabia o que era arte!

Alexandre Nodari disse...

"Vale sempre lembrar que Duchamp" levou um urinol há ... hum ... "alguns" anos atrás - os "entendidos" podem dar a data correta - e os não-"entendidos" podem googlar ou ver no Wikipedia. Isso sem entrar no mérito da pichação, mas com essa argumentação contrária...

Anônimo disse...

pareço moderno.

aglair disse...

Pessoas, desconhecia o que estava rolando. Foi através de uma amiga que soube que o bicho tava pegando. To achando bárbaro. De todo modo, acho importante eu me manifestar. Não era meu interesse publicar a carta, até porque ela foi redigida em um contexto institucional em resposta a um ofício que me foi encaminhado pela coordenação do curso. Eu mesma solicitei ao coordenador que me encaminhasse uma comunicação interna para que eu me manifestasse a respeito do grafite de meu aluno, objetivando contextualizá-lo. Foi a forma encontrada para solucionar algumas dúvidas e evitar que fossem tomadas outras providências. Ainda que eu não estivesse motivada a autorizar a sua publicação, já estava sabendo que meu texto estava circulando amplamente entre os alunos do curso. Isto porque eu o disponibilizei a alguns alunos da disciplina com a intenção de informá-los sobre o desenvolvimento dos fatos. Como ele já estava na roda, já era público, não identifiquei nenhum problema em autorizar a publicação neste site. Leciono a disciplina de Estética e Comunicação de Massa no curso de jornalismo, onde tematizo várias questões, algumas citadas em meu texto. Como trabalho final da disciplina eu elaboro vários títulos de trabalhos e os sorteio entre os alunos. A idéia é que eles experimentem um processo criativo no campo das linguagens que contraste com as formas narrativas mais usuais empregadas no jornalismo, conforme relato na carta. Citei nesse semestre, inclusive, o trabalho de Guillermo Vargas Habacuc, utilizando-o como exemplo de limites nesse processo, entre outras orientações que dou aos alunos. No mais, eu os estimulo a vivenciarem intensamente o trabalho final e sempre sou surpreendida com o potencial criativo deles. Com essa turma não foi diferente, tanto que pretendo tornar pública a apresentação dos trabalhos finais da disciplina. O título do trabalho do Alex foi “Vestígios de que passei por aqui”. Ele deu uma pegada legal no título e apresentou um trabalho em vídeo sobre grafite e grafitou sua tag na parede. Quando cheguei para lecionar a disciplina naquela manhã, ela já estava lá, assim com uma série de objetos espalhados pela sala. Se eles estavam fazendo arte ou não, essa não era a questão principal. Até porque a disciplina não é voltada para a criação artística e também porque considero que nem todo processo criativo no campo das linguagens pode ser considerado arte se não foi realizado com essa intenção. Ainda que eu ache que vários dos trabalhos apresentados, tranquilamente, pudessem ser expostos com esse caráter, em função da perspectiva conceitual de muitos deles. Dei dez pra turma como um todo. Isto porque a turma pegou legal a disciplina durante todo o semestre. Leciono há quase 25 anos na universidade e é raro eu encontrar um turma tão potente e dedicada como essa. Concordo! Realmente meu nome é estranho. Mas, talvez não seja apenas o nome. Abs, aglair