13.8.09

Diário de Gramado (V)

Publicado no Caderno de Variedades, do DC, aqui

Se você quer encontrar globais, tirar fotos com eles, dizer que são lindos, não deve nunca ir ao cinema. Primeiro porque o cinema é um lugar sem muita luz e você corre o risco de desaparecer no escuro; depois porque os globais quase não aparecem por lá na hora dos filmes mesmo. No máximo, espere no saguão.

Ontem, depois de homenagem feita a Reginaldo Faria, antes de começar Cildo, documentário da mostra competitiva, muitos deles sumiram do cinema em comitiva. De qualquer modo, justiça seja feita, há globais e globais. E agora há também uma espécie nova de celebridades: os atores da Rede Record. Dizem que existe uma pessoa do Festival responsável só pela vinda destas pessoas.

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Parece haver dois Festivais cindidos. O primeiro é feito de globais que não vão aos debates e o segundo é feito de intelectuais que não vão às festas. De minha parte, acabo participando dos dois, mas já estou ficando com sono.

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Conversei com Bayard Tonnelli, ator de Canção do Baal, poeta, anarquista, parceiro de Rogério Sganzerla e tudo o mais que se possa imaginar. Bayard atuou em Perigo Negro, de 1993, ano catastrófico para o cinema brasileiro, como se sabe. O ator veio algumas vezes para o Festival de Gramado com Sganzerla. O diretor catarinense aprontava um bocado, parece. Uma das suas foi subir no palco para apresentar seu filme e se referir a Nelson Pereira dos Santos como Nelson Pereira dos Diabos.

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