14.8.09

Diário de Gramado (VI)

Para o Caderno de Variedades, do DC

A cineasta Xuxa Meneghel chegou em Gramado para ser homenageada pela sua trajetória no cinema, provavelmente. A preparação que está sendo feita para a recepção da Rainha dos Baixinhos é fora do comum, de fato. Alguns assessores, dois ou três, já estão na cidade desde o começo da semana. Xuxa não dará nenhuma entrevista, não ficará em Gramado, os fãs poderão vê-la de modo rápido no tapete vermelho, apenas - um enorme cordão de isolamento está sendo preparado, de qualquer modo - enfim, o único lugar em que Xuxa dirá qualquer coisa será no palco do cinema.

O que pouca gente diz é que a bilheteria do último filme da estrela foi meio caída. Parece, inclusive, que Xuxa chegará em uma nave especial, igual aquela do programa, mas esta informação ainda não está confirmada.

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Depois de alguns dias no Festival, passadas algumas impressões iniciais - quer dizer, um ou outro filme mais fraco - já é possível dizer que o nível de cinema está alto, com algumas aparições realmente surpreendentes. A curadoria até faz alguma concessão para um cinema mais fácil, principalmente para o cinema local, mas não muita.

Na mostra de longas nacionais, nos últimos dias, a discussão do documentário retorna com Cildo e Corumbiara - o primeiro sobre um dos artistas visuais mais importantes do país, Cildo Meirelles; o segundo sobre um provável massacre indígena em Rondônia. Uma curiosidade sobre o processo de Corumbiara: as filmagens duraram mais de vinte anos. Há críticos dizendo que se trata de um filme decisivo para a discussão indígena no país.

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Algo que tem se repetido com alguma regularidade: bons e até excelentes filmes sem qualquer financiamento do Estado. Há um curta que custou em torno de mil reais, como é o caso de Pra Inglês Ver, documentário sobre turismo nas favelas cariocas; outro curta, O teu sorriso, excelente ficção que custou um pouco mais e foi selecionado também para o Festival de Veneza; e até mesmo o longa Canção de Baal, que custou um pouco mais de vinte mil reais e, a esta altura do Festival, já dispensa comentários.

3 comentários:

Lucian disse...

É que tu estás mal acostumado com o nível do FAM.

Anônimo disse...

isso parece mais o diário do cacau. ou não?

Victor da Rosa disse...

Bem, queimei um pouco a língua, na verdade, porque depois vieram duas bombas brasileiras: Corpos celestes e Em teu nome. Os curtas também não estão lá estas coisas. Os filmes latinos estavam, de longe, superiores. Mas Corumbiara realmente é muito forte.