15.10.09

A estranha estrela de um Palermo

O jogo trágico mesmo da Argentina - e não necessariamente trágico, pois não pode haver tragédia com o desfecho feliz, vamos dizer, mas é algo bem perto disso - foi contra o Peru, no Monumental de Núñez, sábado passado. Poderia até imaginar que contra o Uruguai, ontem, apesar de todas as promessas, a Argentina apenas cumpriu tabela. E a grande estrela desta classificação, portanto, acabou sendo não o Messi, nem o Verón e muito menos o Riquelme, mas Palermo, apenas, que entrou no segundo tempo do jogo contra o Peru e fez um gol impedido no último minuto.

Palermo, é provável, não será muito lembrado por este gol - ontem sequer jogou. E nem será lembrado pelo gol incrível que fez há uns dias, talvez, algo que nunca vi no futebol - uma cabeçada quase do meio de campo, aqui (um gol feio, afinal, mas incrível). Talvez seja mais lembrado por outra marca sua, - esta, sim, trágica - quando perdeu três pênaltis na mesma partida, aqui (notar a completa falta de classe nas cobranças).

Palermo é um jogador esquisito. Não tem o perfil de craque - parece mais um surfista de férias, de fato, do que um jogador de futebol - mas é ídolo no Boca Juniors e vive ganhando títulos (dos clubes brasileiros, inclusive). Não dá pra dizer que é um jogador medíocre, por um lado; mas é verdade também que seu futebol não chega perto de ser bonito, por outro. É um sujeito tão bonito quanto o Beckham, talvez - alto, forte, loiro, etc - mas não é descolado o suficiente pra ser um galã comum (antes, é um deslocado) - faz o tipo grandalhão demais, por exemplo. Não deixa de ser curioso, enfim, que Palermo se chame justamente assim: Palermo.

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