12.11.09

Longe daqui: SP

Nos primeiros dias em São Paulo eu sempre tenho a mesma sensação: quero viver aqui. Depois do quinto ou sexto dia, penso um pouco diferente: quero visitar São Paulo de vez em quando só.

Morar em São Paulo pra ver cultura é algo que não parece fazer tanto sentido mais, já que as pessoas que vivem na cidade não têm tempo, dinheiro e às vezes nem disposição pra acompanhar tudo; já que as passagens estão cada vez mais baratas; já que fazer as coisas um pouco descolado do centro não deixa de ser um privilégio.

Passei os dias lá com amigos que não sabiam do Panorama da Arte Brasileira - que está lindo - e jamais tinham ido em uma peça do Oficina. Meio normal, parece. É assim mesmo. Em São Paulo inclusive os mitos sabem desaparecer.

Aliás no sábado tirei uma casquinha do Zé Celso. Rolamos no chão do Teatro Oficina. No final da peça ele ainda veio me apertar. Uma beleza. Parece que me adorou.

No domingo fui na festa particular do guitarrista de uma banda meio famosa que eu não conhecia e encontrei o Marcelo Camelo, uma semana depois de ter feito um post sobre uma canção sua. Ele dizia pra uma moça inglesa (com tom de descoberta) que Construção do Chico Buarque é toda feita com proparoxítonas - ah! - e eu quis contribuir na conversa usando meus raros conhecimentos literários e disse que os versos desta canção eram inclusive alexandrinos, com 12 sílabas e tônicas marcadas, mas ninguém deu muita bola pra mim.

Uma coisa engraçada é que você vai na Pinacoteca vazia - perdi a exposição do Matisse por dois dias e outras temporárias também - mas acaba vendo um Hélio Oiticica ou uma série de pinturas do Volpi meio escondidas no canto; ou então você sai do MIS com um amigo paulistano reclamando da falência do Museu, com razão, depois de ter visto uma instalação da Pipilotti Rist.

Por outro lado, você chega na bilheteria do SESC-Consolação uma hora antes de começar uma peça de Antunes Filho, pergunta se tem ingresso e o menino apenas ri de você atrás do vidro - pra daqui a duas semanas, você quer?

Uma das coisas mais legais, no entanto, foi ter passeado pela Av Paulista - com uma rápida passagem pela Augusta - durante o apagão (de carro, óbvio). Na Augusta morreu uma moça depois de reagir a um dos inúmeros assaltos ocorridos, dezenas. Todos os lugares 24h estavam fechados. Eu estava no coração do Brasil; depois de um pequeno ataque cardíaco.

5 comentários:

Anônimo disse...

gostei da última frase. o resto nem acreditei.

ez disse...

acho que vc não viu a expo virada russa nem comeu strogonoff, porque vc nem narrou. chega um tempo em que só o que é narrado acontece... bez!

Tiago Mesquita disse...

desculpe-me por ter sumido queridão. estava ocupado com aulas e outros pepinos, mas foi jóia.
abração

Victor da Rosa disse...

eriqueta: o contrário não será verdadeiro também?

tiago, queridão: aquele domingo fui muito divertido; apareça!

Í.ta** disse...

marcelo camelo. inveja de ti eu sinto agora :)

gostei do texto todo!