13.12.09

Um jogo perdido

Eu até gosto da vida social - mais do que deveria, pelo menos - mas na maioria das vezes, ou quase sempre, volto pra casa com a sensação de que sou um histérico. O que há de mais incômodo nos encontros sociais - ou, por outra: o que há de mais burguês - é que o padrão das conversas dificilmente ultrapassa o imaginário da fofoca; o ritmo alucinante de uma corrida absolutamente excessiva e desnecessária. A escrita, ao contrário, digamos, é contra-histérica: nela nada deve sobrar. Algum escritor já disse que escreve pra corrigir o desacerto contínuo que consta nas coisas e pra mim, agora, é como se só fizesse sentido escrever por conta disso - mesmo que o desacerto, neste caso, seja eu. Ou seja, escrever é também um jogo perdido. Gostaria de falar, afinal - tarefa que, a mim, de resto, sempre pareceu e continua parecendo impossível - como se estivesse escrevendo.

6 comentários:

gilvas disse...

esta incompatibilidade nas formas de expressão também me incomoda. é quase um arrependimento prévio, independente do lado pelo qual expresso a questão.

Í.ta** disse...

isso atordoa, de fato.

mas não desistimos.

talvez sem nem saber o porquê.

Neno Miranda disse...

ahh...vc fala um montee.
abraçoo

Anônimo disse...

acho melhor deixar assim: nosso café de lado. por aqui tudo tb é meio histérico, mas é um meio termo entre falar e escrever. deixemos como está e sem mais decepções para o momento. ;)

Anônimo disse...

victor, vc poderia se candidatar para ser o interino do cacau. seria só uma mudança de editoria.dica de ouro: escreva tudo em terceira pessoa!
tenho certeza que naquele caderno de cultura tu perde um tempão escrevendo um negócio que ninguém lê e não recebe nenhum presentinho.
me dá teu endereço, quero te mandar um regalo de natal.

p.s- brincadeira, eu leio sempre!

Seu Orientador disse...

É melhor você ficar em casa escrevendo ao invés de ficar estragando os eventos sociais dos outros.