8.1.10

"Cantar e obedecer ..."



Estou acompanhando a minissérie da Rede Globo sobre Dalva de Oliveira e Herivelto Martins e tenho discutido a polêmica, a cada capítulo, com minha mãe, tias e avó, pois considero realmente muito injusto o modo como Herivelto está sendo julgado. Então vamos acertar um pouco as coisas.

Primeiro não podemos esquecer que Dalva só foi Dalva porque existiu Herivelto - e a ingratidão é um dos defeitos mais abomináveis de uma mulher. Outra coisa é que, diferente do que se diz, Dalva foi mesmo a única mulher que Herivelto amou. Depois, convenhamos, não se encontra uma Maria Fernando Cândido em qualquer esquina.

A minha mãe vem dizer que Herivelto traiu a Dalva com outras mulheres, mas (detalhe por detalhe) Dalva também traiu Herivelto - e, muito pior, com um venezuelano! Pergunto: a traição feminina, naquele contexto, não é muito mais grave do que a traição masculina? Ou vamos ignorar o contexto histórico? Foucault nos ensina que jamais podemos ler a história abstraindo suas condições de possibilidade.

Minha madrinha, por sua vez, argumenta que Herisvelto estava tão errado que até seus próprios amigos ficaram contra ele. Devemos analisar esta contrapartida com mais calma. Herisvelto era basicamente um compositor. Dalva era intérprete - aliás, já estava se tornando, graças a Herisvelto, como disse, a grande intérprete do rádio. Os amigos de Herisvelto, na maioria, eram também compositores. Pensa bem, madrinha: oportunistas como são, vão ficar do lado de quem?

Mas vamos deixar as interpretações - que são sempre subjetivas - e voltar aos fatos: Herivelto pegou Dalva com outro na cama e ainda teve que ler suas cartinhas de amor, humilhação por qual Dalva jamais passou, visto a delicadeza com que Herilvelto conduzia suas amizades com mulheres. Estou errado? Não. Ou seja, Dalva apenas ouvia falar muit vagamente que era traída. Isso não dói em ninguém. Então minha tia vem argumentar: mas Herivelto traiu primeiro! Tia: e daí? A ordem dos fatos não altera nada. Amor é amor. E o perdão? É uma pergunta que faço.

Agora o pior argumento é o da minha vó. Ela vem falar do contrato de casamento; vem falar que se um quebra o contrato, o outro também pode quebrar. Ora, minha ingênua vó, será que a Dalva não sabia que Herisvelto era um boêmio? Ou os dois se conheceram na crisma? A minha vó simplesmente desconhece os fatos reais.

Aliás, o primeiro diálogo entre Dalva e Herisvelto, muito bem representado na minissérie, é exemplar. Herivesto está tocando violão com um amigo, Dalva se aproxima, quando ainda era uma tonta, diz que sabe cantar e pergunta: o que eu tenho que fazer? Herisvelto responde: cantar e obedecer. Corta a cena. Na próxima, Dalva aparece cantando. Contrato feito. Mas o que acontece? Algo muito simples: Dalva de Oliveira só quer a parte boa do casamento. Ingrata!

PS. Infelzmente hoje não poderei ver o último capítulo, pois terá o show do Neno Miranda no SESC quase no mesmo horário. Um pedido, já que nunca pedi nada pra ninguém: alguém pode gravar pra mim?

5 comentários:

leitora feminista disse...

cadê as leitoras feministas deste blog!!!

Anônimo disse...

victor, adorei. principalmente a parte que defendes o contexto histórico.

Anônimo disse...

victor, adorei. principalmente os erros de ortografia.

Anônimo disse...

victor, adorei. principalmente os erros de ortografia.

Victor da Rosa disse...

meu revisor está de férias