2.1.10

Primeira crônica

Para DC

Convenhamos que escrever a primeira crônica de 2010 sem recorrer a algum clichê – e sendo ainda a primeira crônica como interino de verão – não é uma atividade, digamos, muito promissora. Duvido que algum cronista goste de escrever a crônica do dia 2 de janeiro. Posso imaginar com muita clareza o sorriso do cronista que pegou o dia 5, quando já poderá tratar de assuntos mais banais, sempre mais interessantes. Na minha opinião, a crônica de hoje é mais difícil inclusive do que a crônica de ontem, pois no dia primeiro, além de ser o Dia da Fraternidade Universal, a maioria dos leitores acorda de ressaca.

A crônica do dia 2, em poucas palavras, como uma espécie de profecia, deve falar dos 363 dias restantes do ano com o mesmo número de caracteres. Cada frase deve ser um aforismo iluminador. E isso sem que o cronista tenha entrado no ano de 2010, pois devemos enviar o texto para o editor uns três dias antes.

O caminho mais prático, naturalmente, é desejar um excelente 2010 pra todos, mas só esta ninharia, a estas alturas, não leva crônica nenhuma até o fim. Aliás, não leva nem um haicai. Depois, a meu ver, ninguém deve sair desejando feliz 2010 assim pra qualquer um. A mentira tem limites.

Eu tinha várias ideias pra criar uma boa impressão nos leitores com esta primeira crônica. Pensei numas filosofias ludopédicas sobre o banco de reservas; lembrei de um taxista que me contou coisas muito engraçadas; etc, etc. Até que o Bruggemann – que a estas horas anda feliz pelas “ramblas do planeta”, de casaco e meia – veio dizer que a data da minha primeira crônica é a de hoje. Pois bem.

Os comentaristas políticos certamente têm um tópico certeiro para a primeira crônica do ano: as eleições estaduais e presidenciais. Depois de oito anos, Lula deixará de ser o presidente do país. Quem entrará em seu lugar? Os comentaristas esportivos, por sua vez, podem lembrar que estamos entrando no ano da Copa da África. De fato, 2010 é um ano cheio de boas promessas. Mas, afinal, e eu? – e a minha crônica?

3 comentários:

Maloio disse...

deverasmente te comecei pela ponta errada. sou leitor on-line do Bruggemann - que jornal está longe do meu bolso e do meu desejo. então, vi a indicação dele de Victor da Rosa; CTRF+F para localizar referências do dito na página do Bruggemann e, então, descubro um blogue (menos mal que a crônica do DC também veio para cá, senão...). entretanto, receio ter começado a leitura do presente cronista em rota errada; caiu-me nos olhos justamente o trecho «A pior livraria do mundo». Nem 'tô' ligando a mínima se a mim me couber o título de ignorante, dei uma busca pelo google e pelo site da saraiva.com e também da curitibas.com. ah, que é que é isso! o raio com o beckett! na minha opinião foi/é pretensionismo teu - demais! diferente é ir até a Biblioteca Pública do Paraná e pedir um livro sobre Leminski e a mocinha não saber (e era estagiária, acho, mas nem por isso coube atitudes arrogantes...). bueno, é só. logo mais dou uma lida num dos teus álbuns de família, sou fã de cachorros. abraço, maloio - ps.: Lavoura arcaica me espera.

Victor da Rosa disse...

olá, maloio.
espero que você goste dos próximos textos.
estou sempre tentando fazer todas as pessoas felizes, mas é muito difícil, como você sabe.
um grande abraço,

Í.ta** disse...

se saísse bem nessa :D

abraço.