8.2.10

A memória dos outros

Acho que o artigo Do uso da violência contra o Estado ilegal, de Vladimir Safatle, aqui, é o texto mais poderoso - no sentido de ter clareza conceitual, sofisticação argumentativa e intervenção política - que li nos últimos tempos. Além de colocar no chão meia dúzia de clichês sobre a ditadura militar que se repetem no país há pelo menos vinte anos, o texto - sem querer, talvez - ainda mostra, no meu modo de entendê-lo, o perigo que pode ter o uso ingênuo de conceitos como signo vazio, esquecimento, branco e todas estas coisas que aprendemos a repetir. Na verdade, trata-se de uma reflexão bastante pontual sobre os crimes de Estado cometidos na ditadura militar brasileira que, à diferença de outros países como Argentina e Chile, jamais foram acertados. Em outras palavras, o texto quer mostrar que o Estado brasileiro comete um segundo crime na medida em que, em nome de uma Democracia que também é controversa, como mostra Vladimir - além da prática de todos os crimes contra a humanidade que cometeu - quer apagar completamente os seus vestígios. E o pior é que convence.

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