22.2.10

Perder para o Botafogo

Fazia tempo que eu não torcia tanto para o Vasco. O time ainda não é nenhum sonho, mas depois da saída do Eurico, e com a volta pra primeira divisão, parece que os torcedores vascaínos voltaram a ter entusiasmo. Não fiquei triste quando o Vasco caiu pra segunda divisão, mas ontem eu fiquei. E só não fiquei mais triste porque a derrota foi para o Botafogo. Perder para o Botafogo, pra mim, não é algo tão ruim. Meu pai é botafoguense - sofrido, como todo botafoguense - e já torci muito pelo Botafogo na infância para não vê-lo chorar. Uma das imagens da minha infância é a de meu pai soluçando após uma derrota do Botafogo para o Flamengo em 92 ou 93. Lembro que comemorei muito o título de 95, os gols de Túlio Maravilha. Jamais esqueço a cara do meu pai, neste dia, no sofá da sala, quando o Santos fez um gol (que seria o gol do título) aos 39 do segundo tempo - anulado pelo árbitro alguns segundos depois. Foram cinco segundos do mais absoluto desespero, como se seu rosto fosse um retrato do Goya. Ser botafoguense é muito mais difícil do que ser vascaíno. Isso constitui uma espécie de singularidade no amor do torcedor botafoguense. O Botafogo é um clube que sempre ocupou esta posição desconfortável: o menor dos grandes. Ou seja, só dá aquilo que não tem. De fato, é um amor que comporta o difícil. Depois, eu vi o jogo com dois botafoguenses enormes - dois bombeiros que conheci no boteco - então, no fim, eu já estava querendo que o Vasco perdesse mesmo.

2 comentários:

Í.ta** disse...

hahahaha.
hilário este relato.

o choro do teu pai deve ter sido em 92, final do brasileiro.

juro que torci pelo teu time ontem. ou contra o bota. deu na mesma. fiquei com a cara no chão.

mas pior mesmo foi o gol do jec aos 49 do segundo. isso sim foi dose pra mim!

Anônimo disse...

pior mesmo foi o gol do jec aos 49 do segundo. isso sim foi dose pra mim! [2]