5.3.10

Chamar a atenção ou não

Ontem, numa livraria de Belorizonte, um livreiro chamou a minha atenção porque eu estava, segundo ele, abrindo demais as páginas de um livro enquanto lia. Depois fiquei pensando se ele estava certo ou errado; se eu devia retrucar ou não. De fato, eu não tenho cuidado nenhum com livros. E livraria também não é biblioteca. Mas até que ponto é válido chamar a atenção de um cliente (eu era um cliente, ali) - mesmo sob a etiqueta do "educadamente" - por algo tão ínfimo? Eu, na sua posição, certamente não diria nada. Por isso talvez eu não venda livros. Por outro lado, o gesto do livreiro acaba com esta idéia burguesa de que, por ser cliente, o sujeito pode tudo.

Mas lembro disso pra dizer que o esquecimento do sujeito que lê em relação ao objeto que segura nas mãos é uma pequena prova de que sua relação com o texto acontece. Eu lia um livro de poemas que me interessou bastante, cheio de humor: Esquimó, de um poeta bem novo, que eu ainda não conhecia aliás: Fabrício Corsaletti.

7 comentários:

Anônimo disse...

Vamos dar nome aos bois, quer dizer as livrarias. A livraria e "sebo"! Crisálida não permite que vc retire os plásticos para ver melhor o livro. Será quem que perde nisso o proprietário ou o consumidor(burguês ou não)?

Anônimo disse...

Em outra livraria fizeram questão que eu foliasse para conhece melhor a poesia desse poeta de São Paulo.Acabei comprando.

Victor da Rosa disse...

acho que é o único sebo do mundo que empacota os livros, não é? se em livraria já é estranho.

se bem que tem um livreiro em florianópolis que tira os livros mais caros da prateleira - obra completa de joão cabral, por exemplo - por medo de ser roubado.

Í.ta** disse...

não sei, tuas ponderações são coerentes, dos dois lados da história.

eu, sendo vendedor, não incomodaria o leitor-cliente, ou cliente-leitor, não. maaaas, vai que a ordem vem de cima? o que fazer, daí?

abraço!

Bruno Brum disse...

Victor, o Oséias, da Crisálida, realmente é bastante sistemático com seu acervo mas, acredite, isso não é por implicância com o freguês ou uma frescura qualquer, mas porque o cara é um amante incondicional dos livros. Tá certo, pode parecer contraditório um cara que ama livros querer empacotá-los, mas com tempo você vai ver que ele é bacana e faz isso para entregar para o comprador um livro nas melhores condições possíveis! É um ato totalmente afetivo esse dele. Aliás, vc sabia que, dentre as livrarias de BH (e certamente do Brasil), a Crisálida é a uma das poucas que possui praticamente 100% do seu acervo? Ele simplesmente não trabalha com livros consignados. Desde o livro da grande editora ao do autor independente, todos são comprados e pagos à vista. Isso é muito raro hoje.

S. H. Brincher disse...

E curtiste o Esquimó? Achei tão... ingênuo. Digo, também produzo alguma ingenuidade, mas não gasto papel nisso.

Ruy Vasconcelos disse...

texto delicioso. me lembrou outro seu, sobre roubo de livros no dc, q causou alguma polêmica. especialmente com seus pais. no caso, a técnica mais especial q já lancei mão: entrar numa livraria com um velho e imenso manual de contabilidade ôco no miolo, e sair com 'os últimos dias de paupéria' dentro dele..