4.3.10

Os haikus de Aira

Quando comecei a ler a literatura de César Aira (um dos prosadores contemporâneos que eu levaria pra uma ilha deserta) pedi pra Lucila que trouxesse uns livros de Barcelona. Não entendo, aliás, o que as editoras brasileiras estão esperando pra traduzir outros de seus livros. Nesta ocasião, seja como for, ganhei três ou quatro livros, mas um deles era o mais curioso. Chama-se Haikus, é bem pequeno e tem poucas páginas. Deve ter custado 3 ou 4 euros. Pra quem conhece qualquer coisa da literatura de Aira já sabe como um título assim bate meio torto. A Lucila, que não conhecia nada de Aira, e que adora natureza e banho de sol, comprou o livro imaginando que se tratasse mesmo de haikus ao melhor estilo de Bashô. Eu não sabia o que vinha, talvez se tratasse mesmo de haikus, mas estava com os dois pés atrás. Acontece que a novela mesmo consiste, do início ao fim, durante 40 páginas, na reclamação de um narrador que, tendo emprestado determinada quantia de dinheiro a outro, como dá a entender, pede a sua grana de volta.

+ César Aira: aqui aqui e aqui

Nenhum comentário: