10.3.10

Ronaldinho e o dispêndio

A discussão se Ronaldinho Gaúcho será convocado ou não pra Copa é uma discussão inútil. Primeiro porque Ronaldinho, de qualquer modo, ficará mesmo em casa. E segundo porque o que está em jogo na discussão não diz respeito - pelo menos do modo como se tem pensado - a seu futebol. Ronaldinho pode jogar o dobro do que já está jogando - leia-se, o impossível - mas terá que se conformar a assistir os jogos pela televisão. No entanto, não se trata apenas de uma opção de Dunga, pois Dunga, naturalmente, não manda em nada - se a CBF quisesse alguém com autonomia, teria chamado, de fato, um treinador de futebol. Dunga é só uma peça - meio enferrujada - do aparelho. A minha hipótese é, por outro lado, puramente política: o procedimento do futebol de Ronaldinho não se enquadra no discurso formal da CBF - pois se trata de um procedimento dispendioso, sem nenhuma moderação, anárquico, algo que extrapola o modelo racionalista de Ricardo Teixeira, sobrinho mais ilustre de nossa ditadura, como se sabe. É por isso que o argumento de que Ronaldinho nunca rendeu na seleção - e eu prefiro pensar numa seleção que nunca rendeu para o Ronaldinho - não serve para o Adriano, por exemplo. Aliás, pela definição do rendimento, a seleção está composta, em sua maioria, por jogadores que nunca renderam e nunca vão render, pois quase todos são medíocres. O que está em questão, está claro, são dois modos opostos de conceber o futebol, sua forma - pois não há nada mais político do que a forma - mas também a vida.

3 comentários:

Alexandre Nodari disse...

Não exagera na teorização do futebol. Você tá ignorando fatos importantes. O que interessa pra CBF é dinheiro, e isso se faz com jogadores de nome, com marketing. Foi por isso que a CBF impôs Ronaldinho Gaúcho no time que foi às Olimpíadas de Pequim (não se lembra que foi Ricardo Teixeira - e não Dunga - que o convocou?). Foi um erro essa estratégia armada por Ronaldinho Gaúcho, provavelmente convencido por seu empresário e a CBF, estratégia que tinha como objetivo claro: revalorizar o "nome" Ronaldinho Gaúcho e, por tabela, a CBF. Como o projeto deu errado, agora fica fácil pra Dunga e a CBF dizerem: "ele já teve a chance dele". Foi um erro de cálculo do Ronaldinho (ou melhor, de seu empresário): devia ter esperado o momento certo pra essa negociata. A verdade do futebol está no seu submundo, não em Bataille.

Anônimo disse...

Eu prefiro a Branca de Neve, não é por nada.

rafael campos rocha disse...

olha, eu não concordo com o alexandre quando diz que o texto "exagera" na teorização do futebol. aliás, achei um texto lindo, apesar de achar que o ronaldinho jogou mal por dois anos, amargou banco e nunca foi mesmo o líder n seleção que foi no Barcelona. acho que esses caras de futebol não são TÃO burros. na verdade, conhecem mais futebol do que nós. ou do que eu, pelo menos. não conheço o alexandre, talvez seja realmente um desses caras de dentro do futebol...e ainda assim errou ao debochar da escolha de victor por bataille e apontar a "Verdade" dele assim, tão diretamente. acho um perigo isso, na verdade.