7.3.10

Se o tempo fosse justo

Há um truísmo muito repetido em qualquer conversa sobre o valor das coisas - o tempo é o tribunal crítico maior, como se a história fosse a mãe de todas as justiças. Acreditar na justiça da história é quase o mesmo que acreditar na existência de Deus, mas a história é tão humana quanto os homens. Se podemos acreditar que há idéias mais justas do que outras, não existe lugar nenhum, por outro lado, que nos garanta que a nossa história seja a historia da felicidade. Sobre isso, há um bestseller muito instrutivo: História universal da destruição dos livros, de Fernando Baez. Dentre outras coisas, ele nos permite imaginar que, se a história é construção de visibilidade, ela é também destruição. Em outras palavras, não há nada mais precário do que uma herança. A única garantia de vida que temos talvez seja o reconhecimento do vazio. Buscar o apoio do tempo aparece como uma das últimas cartadas do sentido. E acreditar em sua justiça, portanto, é esquecer que a única ordem que nos guia tem o nome de acaso.

8 comentários:

não a-nomos disse...

é engraçado, que quando você fala algo contundente e desponta para o filosófico, ninguém comenta. os anônimos gostam da ironia, se refastelam com futebol e a trivialidade do cotidiano, mas quando o assunto fica sério, o silêncio. isso sempre me intrigou neste blog. decidi portanto romper este silêncio. mas o que comentar? o segundo passo, é tão mais fácil falar de trivialidades, uma respostinha atravessada, só pra contrariar ou encomodar os dizeres victorianos. mas quanto o assunto é contundente e precisamos tomar partido, uma opinião mais refletida, nada, o vazio. o que falar sobre o tempo? já ouso questionar a história, que história, contada por quem? não que pense na relativização do tempo, simplesmente, o que geralmente oculta a história e a desfacela. o tempo e a história estão associados, e não a felicidade. durante nossa vivência, neste lapso temporal que aqui estamos, histórias nos são repassadas e interferimos nelas, repassando-as adinte ou tentando modificá-las, mas a felicidade é algo que sentimos, pode-se ter todas as necessidades materias acessíveis e não se estar feliz. e nestes momentos de incerteza questionamos sobremaneira o tempo, a história, a felicidade, a justiça, e demais conceitos? como chegar a um consenso? debater dissecar depurar dialogar ou o silêncio e a dúvida?

Anônimo disse...

o tempo não é a história e nem tão pouco a história é justa. a história é um discurso sobre o passado e o que ela faz é retirar do passado sua vida, seus devires infinitos. e ela não é mais do que isto: um texto escrito e uma sentença de morte a inúmeras possibilidades de vida. é uma racionalização apenas, uma racionalização que aproxima ou distancia fatos que poderiam perfeitamente estar desconectados ou que constrói uma relação artificial de causa e efeito entre esses fatos, e como qualquer racionalização ela também não é a justiça, mesmo que em algumas vezes prentenda sê-la deliberadamente.
a questão é quebrar a identificação do tempo com a história, porque a história não é o tempo e lembrar que quem vê justiça no tempo (como nesse ditado citado no post) é apenas quem olha para o tempo como sendo a história se inscrevendo, como se o tempo servisse à história e não o contrário.

gilvas disse...

sobreviver, em suma, não é necessariamente um mérito quando o que se observa são obras de arte ou idéias.

é isso, ou terei escapado por completo ao tópico?

(em tempo: acho futebol um saco, e penso que qualquer tempo dispendido em discuti-lo um desperdício, inclusive este que estou gastando.)

Anônimo disse...

Contundente? tem gente que está exagerando! Tomar partido? Quanta bobagem! Bobagem. Bobagem.

Í.ta** disse...

não sabia da existência de anônimos que cuidam do que as pessoas comentam.

Anônimo disse...

í.ta, cuidar do que as pessoas comentam é praticamente uma prerrogativa dos anônimos. geralmente os que assinam tomam função mais séria para si, afinal são os que dão a cara a tapa e tem uma reputação para cuidar.

quanto ao comentário do gilvas, confesso que não entendi.

Anônimo disse...

Acho que quem assina tem um problema existencial muito sério. Um problema de falta de identidade. Mas isso é outra história. O que está em jogo aqui é essa tolice do primeiro comentário. Tenha dó!

Anônimo disse...

eu achei a proposta do primeiro comentário legal, por isso postei e só por isso.