16.3.10

Teoria da pegação

Na noite, e esta é minha tese, não existe abordagem possível que não esteja rente ao ridículo - o que não é um mal em si, diga-se, para que não me acusem já no começo, já que o ridículo pode ser uma forma de vida absolutamente legítima. Se um sujeito chega na moça - ainda não saímos do modernismo - querendo dizer qualquer coisa em troca de um beijo, digamos, pois é sempre isso que está em jogo, então, convenhamos, a relação não passa de um protocolo monótono. Não importa se o sujeito tem, como se diz, uma conversa boa, pois o que está em jogo não é o conteúdo, mas a condição de possibilidade. Aqui em Belo Arizona, aliás, o sujeito terá que rezar o novo testamento inteiro, o que deixa a situação mais ridícula ainda.

Há duas saídas pra isso, segundo o meu diagnóstico. A primeira é o cinismo e a segunda é a putaria declarada, que julgo aliás duas saídas bastante razoáveis. Na primeira você sabe que é ridículo, mas não está ligando muito - o que é muito diferente de ser ridículo e não saber; na segunda, a mais radical, certamente, você simplesmente abre mão de qualquer conversa - antes e depois (do beijo) - doa a quem doer. Porque eu acho que conhecer pessoas na noite quase nunca dá certo. No fundo, ninguém sai na noite pra conhecer pessoas. Quem quer conhecer alguém, sei lá, vai no bingo, que é um ambiente bem mais propício para o diálogo. O sujeito que opta pela segunda opção não considera necessariamente a conversa como algo sem importância. Pelo contrário, é por considerar a conversa um negócio tão importante que o sujeito deve se negar a estas conversinhas vagabundas.

*

Dois exemplos. Tenho apenas um amigo que concorda comigo e dá um exemplo. Dia destes ele estava conversando com uma garota e, lá pelas tantas, perguntou o que ela fazia. Uma coisa é que, se você quer ser ridículo e conversar sério, faça isso, mas jamais pergunte o que a pessoa faz. Ela disse que era médica veterinária e presidente de uma ONG em defesa dos animais. Pois bem, e agora, como se continua uma conversa destas? Você não pode ignorar a informação. Ameniza a grosseria se você pedir pra sair e pegar uma cerveja, mas mesmo assim. Música altíssima e ele: ah, que legal, e... posso ser teu cachorrinho? Ou seja, entrou com o cinismo na hora certa. Tenho outra amiga que, encalhada, se resume a responder com tédio: ah, ultimamente não recebo abordagem nem de policiais.

15 comentários:

Anônimo disse...

este post tem a ver com o anterior. do mesmo que a publicidade é uma moeda de troca, a cantada também o é!

Í.ta** disse...

me amarrei no marcador: mitologia

:D

abraço!

Anônimo disse...

"posso ser teu cachorrinho?" e desde quando pedreirice é cinismo???

tenho outra teoria, que não deixa de ir ao encontro da tua. noite não é um bom lugar para se conhecer ninguém pq todo homem tem um pedreiro dentro de si, e ele aflora justamente na night. talvez por isso a mulherada de bh seja tão difícil, talvez por alguma razão sociológica que não sei explicar seu limite de tolerância a abordagens pedreiras seja muito baixo. ou talvez os homens de bh sejam pedreiros em excesso, o que seria uma explicação razoável.

Anônimo disse...

Não concordo com essa "anonima" que diz que todo homem tem um pedreiro dentro de si. Conversa mais fiada essa. Se eu disesse que toda mulher tem uma "amélia dentro de si" ou que toda mulher tem uma "vadia dentro de si" o que você diria reles anonima?
Então, para vocês (para todos) eu vou relembrar uma música do titãs:
"Todo mundo quer amor
Todo mundo quer amor de verdade
Uma pessoa boa quer amor
Uma pessoa má quer amor,
Quer amor de verdade
Quem tem medo quer amor,
Quem tem fome quer amor,
Quem tem frio quer amor,
Quem tem pinto saco boca bunda cu buceta quer amor
Ele quer
Ela quer
Ele quer
Ela quer
Todo mundo quer amor de verdade"

No fundo, as mulheres de BH devem ser muito mais chatas do que as as mulheres já são normalmente. affi!

outra anônima disse...

pesou a mão!!!

a-nomos disse...

clitores, clitores, clitores

Anônimo disse...

eu achos sim, que toda mulher tem uma amélia dentro de si. não vejo excessões.

Anônimo disse...

ah, e toda amélia, quando é pega de jeito, tem também uma vadia dentro de si. aliás, é isso que faz amélia mulher de verdade.

Victor da Rosa disse...

agora subiu o nível.

Mirella Adriano disse...

Eu só consigo achar que é puro gosto pela burocracia. Talvez pense isso porque trabalho na prefeitura e não consigo ver diferença entre meu ambiente de trabalho e o bar mais underground da cidade.

Mas, claro, sou um ser amargo.

Anônimo disse...

A minha teoria é de que o autor desse blog está gastando muita saliva para pegar as mineiras de BH e até agora não pegou ninguém. Por isso essa conversa toda. Acho que ele está pensando que aí é Floripa que tem as mulheres fáceis do Blues e da Udesc em que basta um all star no pé e meio segundo de conversa mole.

Victor da Rosa disse...

eu tenho três filhos pra criar.

Anônimo disse...

ei, mulheres fácei da udesc é o caralho.

jean mafra em minúsculas disse...

a segunda opção me parece mais interessante.

Anônimo disse...

que adianta tanto jogo duro, para ficar se masturbando no banheiro. só não ligue no dia seguinte.

ass: mulher fácil de floripa