22.4.10

Carros por todos os lados

Após algumas aparições em alguns lugares do país, de São Paulo à Palhoça, a última peça do ERRO Grupo, Autodrama, chega em Florianópolis. De outro modo, a peça aprofunda uma ambivalência que existe nos trabalhos anteriores do grupo: algo entre a linguagem do teatro - pois há sempre uma dramaturgia visível, embora completamente deformada ou mesmo ironizada - e a intervenção urbana. Em linhas gerais, a peça consiste em diálogos e ações entre três carros manipulados por atores do ERRO - que representam três tipos: pai, mãe e filha, a encenação da encenação - e mais um carro de telemensagens, que funciona como uma espécie de narrador do conflito familiar e entra na peça por apropriação, ready-made - apropriação de um gênero de discurso, mas também de uma situação social. Seja como for, tudo é construído de modo muito rarefeito, opaco, ou seja, a situação e os diálogos não estão entregues de modo tão direto. Os atores, deste modo, são ao mesmo tempo atores - até que ponto estão encenando, já que permanecem quase sempre dentro dos carros? - e manipuladores, digo: motoristas mesmo. A rigor, os protagonistas são as máquinas.



Tive a oportunidade de acompanhar uma versão na Palhoça e outra em Santo Amaro, mas em Florianópolis será diferente. Em Santo Amaro, a rigor, a peça funcionou mais como teatro; na Palhoça, algumas horas antes, funcionou mais como intervenção urbana. Uma praça maior, por exemplo, já é capaz de diluir ainda mais a linha dramática, já que os carros muitas vezes dão o texto enquanto circulam. Por outro lado, esta situação cria mais transtorno urbano e interage inclusive com outros carros que estão passando pelo local - a maioria das pessoas passa buzinando, por exemplo, o que pode ser incluído como uma participação artística espontânea e inconsciente, digamos, mas naturalmente não sabe o que está acontecendo (o mesmo serve para os policiais que, em algum momento, na cena mais tensa do drama, passam a auxiliar no controle do trânsito - aliás, os policiais sabem que se trata de uma peça de teatro, mas não sabem que eles próprios estão atuando). Em Santo Amaro, diferente, a encenação aconteceu bem na frente do prédio da prefeitura - então os arrotos do pai e os gemidos da mãe ganham talvez uma leitura mais política - num pequeno vão, mais alto, que mais parecia um palco, com um campo de deslocamento muito menor, tornando os diálogos bem mais concentrados. Em Florianópolis a peça acontece na Praça da Alfândega, em plena segunda-feira, a partir do meio-dia.

Outras informações, aqui e aqui

8 comentários:

Anônimo disse...

Nada a ver. Tudo bem, falar bem dos amigos, pelo menos dos que restam, deve render convites para festinhas com conversas inteligentes e originais. Não poderia deixar de ser, não é mesmo. Nada a ver.

Anônimo disse...

E quando será a peça? Você não disse.

Outro Anônimo disse...

Depois de tanto tempo o Victor continua despertando os sentimentos mais primitivos das pessoas? Será que o post sobre o GRUPO ERRO reavivou umas memórias antigas do pessoal?

biba resignada disse...

este anônimo deve ser um viado que descobriu que o victor é hetero e ficou com raiva!

Victor da Rosa disse...

Acho que os professores da UDESC deveriam passar mais deveres para casa.

Bárbara disse...

Nossa, Udesc, jura Victor? Eu achava que era a única pessoa da udesc que acompanhava o blog. Ou, de cênicas. Ou seria muita pretensão?

Anônimo disse...

O Victor hetero? Ei, Biba! você, além de "nada a ver", está desatualizada. Os outros comentário sobre o meu comentário também não passam de um " nada a ver". Essa corja de drogados, falsos artistas, falsos pensadores, e gente falsa, cansa a minha beleza. Ainda acho que o Victor precisa manter esses poucos amigos a qualquer custo, uma vez que dos outros não conseguiu tirar nenhum proveito.

Historiador drogado disse...

Pela relação tão direta entre drogados e falsos artistas, teríamos que despedir uma boa parte dos artistas de dentro da história da arte.