3.5.10

'Chupa, bicharada' ou a lógica do terror

O refrão mais repetido pelos atleticanos na comemoração de ontem, aqui em Belorizonte, após a conquista do título estadual, foi o seguinte: Chupa, bicharada!, em referência aos torcedores do Cruzeiro, a bicharada do enunciado. Ouvi o enunciado antes do jogo, durante o jogo (no bar, onde eu estava) e ainda, muitas vezes, durante a comemoração, que deve ter ido até de madrugada. Enfim, é uma espécie de mantra do mal. Como se sabe, o Cruzeiro nem chegou até a decisão, que foi disputada entre Atlético e Ipatinga. O Atlético, após vencer o primeiro jogo, já era o campeão virtual, como se diz. Neste caso, poderia haver certo pudor até mesmo pra vibrar um gol que já não valia mais nada. Mas o traço farsesco da cena é ainda mais visível. É uma histeria, em todo caso, mas sem qualquer emoção. Ou melhor, se há emoção, ela só é justificada pela lógica do ódio e do terror, aqui. Chupa, bicharada é um enunciado não da esfera do drama, sequer do trágico, mas do terror. E quem acha que o futebol profissional resolve a lógica do terror no plano simbólico, poderia ter vestido a camisa do Cruzeiro, ontem, e ter dado um passeio na praça da Liberdade.

Um comentário:

Í.ta** disse...

o torcedor é um amor